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12/03/2014 15:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Lula envia carta a Maduro pedindo mais diálogo na Venezuela

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sublinhando a importância de dialogar com "todos os democratas" em um momento em que o país enfrenta uma série de protestos contra e a favor do governo.

A informação foi divulgada na noite de terça-feira (12) pela imprensa oficial da Venezuela. A carta foi enviada dia 5 de março por ocasião do primeiro ano da morte do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

"Sempre estivemos juntos nas lutas por uma América Latina mais justa e soberana, pela integração de nossas nações, pela construção de um continente independente e democrático. Nos bons e maus momentos, nas divergências e nos comuns acordos. Chávez era um grande amigo, um irmão de lutas e sonhos", homenageou Lula.

"Não tenho dúvidas, companheiro Maduro, de que esse corpo de ideias e experiências constitui um guia de conduta de seu governo e do povo venezuelano neste delicado momento de sua história. Momento no qual é necessário um diálogo com todos os democratas que querem o melhor para o povo. Somente assim a Venezuela realizará o sonho de uma sociedade justa, fraterna e igualitária", prossegue Lula.

"A melhor forma de honrar a memória do comandante que se foi é seguir adiante no rumo da paz, da justiça social e da democracia, da integração continental e da autonomia dos nossos povos. Nesta luta estaremos sempre unidos", disse ainda Lula, aparentemente em relação aos atos violentos que aconteceram durante as manifestações. Leia a carta na íntegra, em espanhol, aqui.

A postura da atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, é diferente. No Chile, por ocasião da posse da presidente Michelle Bachelet, Dilma disse que os presidentes do bloco da Unasul não vão discutir a crise na Venezuela.

Estava prevista para esta quarta-feira (12) uma reunião entre os chanceleres da Unasul sobre o tema. "Os presidentes determinaram a seus ministros de Relações Exteriores que façam uma reunião e criem uma comissão que pode, inclusive, ser de todos os países da região", disse Dilma.

Segunda ela, a comissão pode servir para ajudar a construir "um ambiente de acordo, consenso, estabilidade na Venezuela". Dilma disse que a posição do Brasil é defender "a manutenção da ordem democrática" e citou como exemplo a reação brasileira à crise paraguaia de 2012, desencadeada pela destituição do então presidente Fernando Lugo. Os governos brasileiro, argentino e uruguaio suspenderam o Paraguai do Mercosul - o bloco regional que passou a ser integrado também pela Venezuela.

Entenda: Por que o Brasil tem sido cauteloso em relação à crise na Venezuela?

Mortes

Na terça-feira (11), a morte a tiros de dois estudantes universitários na Venezuela levou a uma troca de acusações entre o governo e a oposição sobre a causa da violência, aumentando a temperatura após um mês de protestos.

As manifestações no país petroleiro resultaram na morte de ao menos 22 pessoas, mas não parecem ameaçar o governo do presidente socialista Nicolás Maduro, que assumiu há 11 meses..

(Com Agência Brasil e Reuters)