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12/03/2014 17:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Caso Amarildo: "Eram gritos horríveis", diz PM sobre tortura do ajudante de pedreiro

AFP via Getty Images
People demonstrate against the disappearance of 42-year-old construction worker Amarildo de Souza who has been missing for two weeks after he was picked up by police at Rio de Janeiro's Rocinha shantytown, as they stage a protest against Sao Paulo's Governor Geraldo Alckmin and in solidarity with Rio's protesters seeking the impeachment of Governor Sergio Cabral accused of corruption and arrogance, in front of the City Council of Sao Paulo, on August 1, 2013. The massive street demonstrations that roiled Brazil last month have eased but more radical groups are coming to the fore and resorting to violence. AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Nesta quarta-feira (12) aconteceu a segunda audiência de instrução e julgamento dos 25 policiais militares acusados de envolvimento no desaparecimento e morte do ajudante de pedreiro Amarildo Dias na Rocinha. Os testemunhos ouvidos foram fortes.

Segundo o R7, o soldado da PM Alan Jardim relatou ter ouvido "gritos de sufocamento" saindo da base da UPP Rocinha no dia do desaparecimento de Amarildo, dia 14 de julho. "Eram gritos horríveis e ensurdecedores", disse. O soldado relatou que o barulho durou cerca de 40 minutos e a pessoa sufocada respondia "não falo".

"Eram gritos horríveis e ensurdecedores e ele repetia 'não falo não falo'"

Amarildo teria sido torturado para revelar informações sobre o tráfico de drogas e armas no Rio de Janeiro. O soldado ainda testemunhou ter ouvido barulho de água e de taser (arma que dá choques nas vítimas).

Ainda na chegada ao tribunal, a mulher de Amarildo, Elizabete Gomes declarou que não vai desistir de encontrar os ossos do marido "para eu enterrar como digno", disse para o G1.

"Eu espero que eles falem onde estão os ossos do meu marido para eu enterrar como digno. Já que eles não falam, a gente tambem não desiste"

A primeira sessão da audiência aconteceu em 20 de fevereiro. Nela, foram ouvidas três das 20 testemunhas de acusação. além destas testemunhas chamadas pelo Ministério Público, há ainda 20 tetemunhas de defesa.

Os 25 réus são acusados de tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e formação de quadrilha. Amarildo sumiu depois de ter sido levado para interrogação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha. De acordo com testemunhas, ele foi torturado por pelo menos quatro policiais. Após seis meses de busca pelo corpo do pedreiro, a Justiça decretou a morte presumida de Amarildo.