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12/03/2014 09:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Câmara está paralisada com crise entre PT e PMDB

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Candidatíssima à reeleição, a presidente Dilma Rousseff chega ao pior momento de sua relação com o Congresso Nacional, em especial com os deputados de PMDB, o maior partido de sua base.

Apesar de inúmeras reuniões nos últimos dias, e até mesmo da singela frase de que o PMDB “só dá alegrias”, dita nesta terça durante viagem ao Chile, e as tentativas de pacificação de seu vice, Michel Temer, os peeemedebistas continuam indóceis.

A tentativa de isolar o deputado Eduardo Cunha, líder do partido (de oposição?) na Câmara dos Deputados, saiu pela culatra. Dilma não o convidou para as conversas no palácio, mas Cunha recebeu o apoio uníssono de sua bancada.

Resultado na noite desta terça: o PMDB liderou a rebelião contra o governo e, junto com outros partidos do chamado blocão, formado por parlamentares de diversos partidos da base descontentes com o estilo durão da presidente Dilma, e deputados realmente oposicionistas, a Câmara aprovou por ampla margem (267 votos a favor, 28 contra) a criação de uma comissão externa para investigar contratos internacionais da Petrobras, a empresa mista que é a menina dos olhos do governo do PT e será um dos focos de debate nas próximas eleições.

Pior: ameaça votar contra o Marco Civil da Internet, um projeto que não apenas é sério demais para ser comprometido por uma briga de poder quanto é uma das principais bandeiras internacionais de Dilma, especialmente depois que vazou a informação de que ela teria sido espionada pelo governo Obama.

Com a aprovação do Marco Civil, Dilma teria um trunfo para liderar uma ação global por governança internacional da internet. Já há até uma conferência global nesse sentido marcada para o final de abril no Rio de Janeiro.

Mas, se a presidente não conseguir aprovar um projeto de seu interesse sobre o assunto em sua própria casa, como fazer bonito diante de líderes de todo o mundo? O que fazer se o risco de o Marco Civil ser rejeitado no Congresso for grande demais?

Como a votação do Marco Civil está trancando a pauta da Câmara dos Deputados, nada poder ser votado antes. O jeito será tirar o projeto do Congresso? Adiar essa votação para um momento melhor? Quando? O espaço de tempo é curto, pois logo vem a Copa, outro potencial problemão para Dilma, e depois a campanha eleitoral.

Ou Dilma terá de ceder aos apetites do PMDB, que quer mais ministérios, cargos, liberação de emendas e principalmente apoio do PT nos Estados para eleger mais governadores, senadores e, principalmente, mais deputados federais Brasil afora.

No fundo, o que há é uma grande disputa de poder entre o PT e o PMDB na próxima legislatura.

O PMDB não quer perder sua atual liderança no Poder Legislativo. Hoje tem os presidentes da Câmara e do Senado. Já o PT não pode abrir mão do PMDB neste ano eleitoral (inclusive porque o partido tem mais de três minutos de TV durante o horário eleitoral gratuito), mas trabalha para ser menos refém do partido no futuro.

Esta quarta-feira e os próximos dias prometem em Brasília. Como Dilma vai agir? Que ajuda terá do ex-presidente Lula e dos experientes líderes políticos de seu partido?