MUNDO
11/03/2014 20:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Voo desaparecido na Malásia: agência dos EUA alertou para "ponto fraco" em Boeing 777

Damir Sagolj/Reuters

Tido como um dos aviões mais seguros em operação no mundo, o Boeing 777 vê a sua fama ser questionada a cada dia que se passa sem notícias do que aconteceu com o voo MH 370 da Malaysia Airlines, desaparecido desde o último sábado (8). O mistério que envolve o desaparecimento do avião com 239 pessoas a bordo, que seguia de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China, ganhou novos elementos nesta terça-feira (11).

Segundo reportagem publicada pelo diário britânico The Telegraph, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos apontou para um “ponto fraco” nas aeronaves de modelo 777 da Boeing. De acordo com o documento, publicado no último mês de novembro, o problema na fuselagem poderia levar a uma “perda da integridade estrutural do avião”. Tal situação se daria por uma corrosão encontrada em Boeings 777, embaixo da antena de satélite da aeronave.

Se ocorresse durante um voo, o problema poderia levar a uma desintegração do avião em pleno ar – hipótese levantada por especialistas em aviação e pelas próprias autoridades que investigam o caso. O problema não foi encontrado pela FAA em um, mas em mais de 40 aviões 777 inspecionados, o que levou a um alerta às companhias donas de aeronaves da Boeing. De acordo com a Malaysia Airlines, o avião que desapareceu no sábado passou por sua revisão de rotina no último dia 23 de fevereiro, e a próxima ocorreria no dia 19 de junho.

De acordo com a rede americana CNN, esse mesmo avião desaparecido havia perdido parte da ponta de uma das asas, mas o problema foi reparado e a aeronave estava em plenas condições de operação, segundo o CEO da Malaysia Airlines, Ahmad Jauhari Yahya. Há nove anos, um outro avião 777 da companhia teve problemas no sistema de piloto automático, em um voo entre Perth, na Austrália, e Kuala Lumpur. Apesar do susto, não houve nada de mais sério e o problema gerou uma correção em 500 aeronaves do mesmo tipo em todo o mundo.

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A tese de acidente, seja por falha mecânica, por erros da tripulação ou ainda por uma suposta tentativa de sequestro que deu errado, voltou a ganhar força nesta terça-feira, depois das autoridades que trabalham no caso, incluindo a Interpol, divulgarem que os dois iranianos que embarcaram com passaportes falsos no voo que ia para Pequim (Pouri Nourmohammadi, de 18 anos, e Delavar Seyed Mohammad Reza, de 29) não possuíam fichas criminais – com base em informações também repassadas pela polícia do Irã – e não tinha conexões aparentes com organizações terroristas.

Além disso, o fato do avião da Malaysia Airlines estar centenas de quilômetros fora da sua rota original quando perdeu contato com os controladores malaios também aproximou os investigadores da tese de acidente. Contudo, sem rastros de destroços a afirmação ainda é uma hipótese. O que se sabe é que o transponder – equipamento que indica a localização do avião – deixou de funcionar no exato momento em que os controladores de voo perderam contato com o avião, quando a aeronave estava próxima da costa do Vietnã.

A área de buscas é imensa e as autoridades ainda não possuem referências de localização que tornem o trabalho menos tortuoso. Mais de dez satélites e equipamentos de uma dezena de países estão sendo utilizados nos trabalhos de busca, enquanto familiares e a comunidade internacional esperam por um desfecho a um dos mais misteriosos incidentes aéreos já registrados.