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11/03/2014 12:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Michelle Bachelet e Dilma Rousseff, tanto em comum

Roberto Stuckert/Presidência da República

As presidentes do Brasil e do Chile têm várias coisas em comum. As duas representam o sexo feminino na liderança de dois importantes países da América Latina, combateram ditaduras e tiveram de afastar políticos envolvidos em escândalos.

A presidente Dilma Rousseff participa nesta terça-feira (11) da cerimônia de posse da recém-eleita Michelle Bachelet, nova presidente do Chile. Dilma ligou para Michelle na segunda-feira para “confirmar presença no evento” e parabenizar a “colega”.

Como disse a colunista da Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo, ambas são mulheres, lutaram contra a ditadura e governariam em um estilo moderado, diferente de outros países da região --à esquerda (Venezuela e Argentina, entre outros) e à direita (Colômbia).

No encontro com Michelle nesta terça, Dilma convidou Bachelet para visitar o Brasil ainda no primeiro semestre deste ano, em data ainda não marcada. Dilma teve nesta manhã o primeiro encontro bilateral com a presidente chilena. Ela comemorou a posse de Bachelet e afirmou que este é um momento de reaproximação com o Chile.

"É um momento de muito orgulho ver mais uma vez uma das maiores líderes da América Latina assumir a direção de um país como Chile, que tem todo um significado para o Brasil", lembrando os brasileiros que se exilaram no país durante a ditadura militar e também a relação econômica dos dois países.

"É uma relação que vamos querer ampliar. É um relacionamento que não só significa investimentos diretos de empresas brasileiras aqui, mas de empresas chilenas lá no Brasil".

Mais cedo, Dilma também confirmou a aproximação pelo Twitter.

O período de governo de Sabastián Piñera marcou um afastamento do Chile com o Brasil e também com o Mercosul. O país focou seus esforços na Aliança do Pacífico, grupo de países latino-americanos que possuem acordos comerciais com os Estados Unidos e deixou um pouco de lado as relações regionais. A eleição de Bachelet está sendo tratada no Brasil como uma nova oportunidade de incrementar a relação, especialmente a econômica.

Outro ponto em comum é o problema com ministros ou subsecretários (no Chile, subsecretários trabalham ao lado de ministros nos Ministérios). Dilma já passou a vassoura em uma série de ministérios durante seu mandato, demitindo ministros envolvidos em esquemas de corrupção.

Michelle, antes mesmo de tomar posse, teve que enfrentar quatro baixas. A última aconteceu a três dias de sua posse e a apenas algumas horas para que comecem a chegar os primeiros convidados internacionais a Santiago para a cerimônia. No sábado, Michelle aceitou a renúncia de Carolina Echeverría, eleita para a Subsecretaria de Defesa, que estava sendo questionada por associações de direitos humanos pelos vínculos de seu pai com casos de repressão na ditadura.

Para substituí-la foi designado o advogado Gabriel Gaspar. A renúncia de Echeverría se soma à apresentada pelos subsecretários designados Miguel Moreno (Bens Nacionais), Hugo Lara (Agricultura) - ambos questionados por serem alvo de processos judiciais - e Claudia Peirano (Educação) - acusada por conflitos de interesse.

(Com Estadão Conteúdo)