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11/03/2014 17:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Crise PT x PMDB: "blocão" reage, apoia Cunha e coloca Petrobras e ministros no radar

André Dusek/Estadão Conteúdo

Depois de não ser convidado pela presidente Dilma Rousseff para o mais recente encontro que tenta dar fim à crise entre o governo federal e a bancada peemedebista no Congresso Nacional, o deputado Eduardo Cunha (RJ) recebeu apoio de toda a bancada do partido na Câmara, na tarde desta terça-feira (11). A moção foi apresentada pelos peemedebistas e aponta que a tentativa de isolar Cunha das discussões “extrapolam o patamar da civilidade, sobretudo nas relações políticas”.

“Os ataques ao nosso líder (Cunha) são ataques ao PMDB”, aponta o texto. Todos os deputados do partido assinaram a moção, segundo informações da Agência Câmara. A atitude por parte dos deputados do chamado “blocão” – formado por seis legendas da base aliada – PMDB, PP, Pros, PR, PTB, PSC, e por uma da oposição, Solidariedade (SDD) – surgem no mesmo dia em que o presidente da República em exercício, Michel Temer, declarou que os mais recentes encontros com o governo e com os parlamentares aconteceram “com vistas à pacificação absoluta”, discurso que, pelo menos com base nas ações dos deputados peemedebistas, não contam toda a verdade.

Em entrevista ao G1, o líder do PTB, Jovair Arantes (PTB-GO), comentou que a exclusão de Cunha das negociações faz com que os parlamentares se sintam isolados. “A forma como partiram para cima do Eduardo Cunha foi estúpida. Houve um desagravo na reunião. Todos os líderes defenderam o Eduardo, porque ele foi injustiçado. Isolá-lo é isolar toda a Câmara. Se o governo acha que pode governar só com o Senado, tudo bem”, disse.

Também presidente licenciado do PMDB, Temer esteve reunido na manhã desta terça-feira com Cunha, e com o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência. Houve uma "lavagem de roupa suja", segundo o comentarista político da Globo News, Gerson Camarotti. Em seguida, Temer e Alves continuaram a conversa no Palácio do Planalto. Um dos atributos do encontro, além de tentar “pôr rédeas” à ala rebelde do partido, da qual Cunha seria o líder, foi também discutir a formação de alianças regionais entre o PMDB e o PT para as eleições de outubro, assunto tido como carro-chefe na tentativa de apagar o incêndio na base governista. A situação é tão crítica que nem mesmo a votação do Marco Civil da Internet, prevista para esta terça-feira, aconteceu por um “problema que é do ambiente político”, de acordo com o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator do projeto. Assim, a pauta na Casa segue travada.

Com o posicionamento apresentado pela bancada do PMDB na Câmara, segue viva a ideia de Eduardo Cunha, exposta na semana passada, de promover uma convenção nacional do partido para decidir sobre o futuro da sigla, considerando ainda um possível rompimento com o governo federal. A “ameaça” se instalou em meio às críticas feitas pelo presidente do PT, Rui Falcão, que criticou a postura dos peemedebistas na Casa e destacou que tudo não passaria de pressão pelo partido não ter recebido novos ministérios durante a última reforma promovida por Dilma. Outro problema seria a falta do cumprimento de acordos no que diz respeito à liberação de emendas aos parlamentares.

Petrobras e ministros entram na mira do “blocão”

Eduardo Cunha segue defendendo a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a administração da Petrobras e um suposto pagamento de propinas por parte dos funcionários da companhia na Holanda. A posição ganhou nesta terça-feira o apoio do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que afirmou que a questão será colocada para votação no Plenário. Contudo, apesar da sugestão ser mais uma a contrariar os interesses do governo federal, Alves segue afirmando que as relações entre governistas e peemedebistas são “excelentes”.

Além da abertura da CPI da Petrobras, o “blocão” articula a convocação de ministros. O primeiro requerimento nesse sentido deve ser analisado nesta quarta-feira (12) e pedirá a convocação do ministro da Saúde, Arthur Chioro. Em pauta estaria o programa Mais Médicos perante a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. A bancada governista promete tentar barrar esse e outros pedidos do gênero, conforme disse o deputado Vicentinho (PT-SP) ao G1. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, outros 20 pedidos de convocação de ministros deverão ser analisados pelos deputados.