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11/03/2014 09:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Crimeia adota Declaração de Independência e fecha espaço aéreo comercial

AFP via Getty Images
A pro-Russian activist holds a Russian flag during a rally in the center of the eastern Ukrainian city of Donetsk, on March 2, 2014. More than 10,000 people carrying Russian flags protested Saturday in the eastern Ukrainian city of Donetsk, the stronghold of ousted president Viktor Yanukovych. Protesters declared they supported 'the aspirations of Crimea to rejoin Russia', referring to Ukraine's pro-Russia peninsula further south where Kiev has accused Moscow of launching an 'armed invasion.' AFP PHOTO/ ALEXANDER KHUDOTEPLY (Photo credit should read Alexander KHUDOTEPLY/AFP/Getty Images)

O parlamento regional da Crimeia aprovou nesta terça-feira (11), durante sessão extraordinária, uma declaração de independência da Ucrânia para se juntar ao território russo. Segundo a agência Interfax, esse é mais um passo processual necessário para o território pedir a homologação da incorporação com a Rússia. A decisão emergencial ocorre antes do referendo marcado para o dia 16 de março, no próximo domingo, que vai consultar a população sobre a decisão. Na semana passada, o mesmo parlamento já havia votado a favor da separação.

Segundo a agência russa Ria Novotis, a declaração foi aprovada por 78 dos 100 membros do parlamento crimeniano. "Esse documento é muito importante para reforçar nosso referendo e ajudar a Crimeia a se incorporar a Rússia", disse o parlamento em comunicado.

Hoje pela manhã, o presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich, disse que ainda se considera o presidente legítimo do país e que as eleições marcadas para maio são ilegais. Em comunicado entregue na Rússia, onde está refugiado, Yanukovich não emitiu opinião sobre o referendo na CrimEia. Contudo, culpou o governo interino por alimentar as divisões que têm impulsionado a dissolução da península na Ucrânia.

"A Ucrânia está passando por um momento difícil", disse Yanukovich. "Suas divergências levaram à cisão da Crimeia. Acima de tudo, vamos sobreviver a este tumulto".

Yanukovich manteve o tom desafiador com os países do ocidente, acusando os líderes de legitimar um novo governo ucraniano que tomou o governo ilegalmente através da força. "Eu gostaria de lembrar a todos que não sou apenas o líder legítimo da Ucrânia, mas também o chefe do Exército. "Ainda estou vivo e não fui cassado de acordo com as normas da Constituição ucraniana", afirmou.

Guarda Nacional

Com a situação agravante na Crimeia, o presidente em exercício da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, pediu nesta terça-feira a formação de uma Guarda Nacional para combater os movimentos militares russos no país. O Parlamento Nacional vai avaliar a possibilidade de transformar as tropas do Ministério do Interior em uma guarda defensiva, incluindo todos os voluntários e membros do Exército.

O primeiro-ministro interino do país, Arseniy Yatsenyuk, viaja amanhã para Washington, nos Estados Unidos, para se encontrar com o presidente Barack Obama. Ele tem intensificando os pedidos às nações ocidentais para que defendam a Ucrânia contra um país (Rússia) "que está armado até os dentes e tem armas nucleares".

Espaço aéreo

A península ucraniana da Crimeia fechou o espaço aérea para voos comerciais, cinco dias antes da realização de um referendo organizado por autoridades pró-Rússia para unir a região no mar Negro à Federação Russa.

Um avião ucraniano, que partiu de Kiev a Simferopol, teve de retornar nesta terça-feira à capital ucraniana.

O comandante comunicou aos passageiros que autoridades da Crimeia haviam fechado o espaço aéreo para todos os voos comerciais.

A tensão na região vem aumentando com a proximidade do referendo, marcado para domingo por lideranças pró-Rússia, apoiadas pelo governo russo, apesar de a consulta ter sido considerada ilegal pelos novos governantes da Ucrânia e por governos ocidentais.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)