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09/03/2014 13:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Padre jesuíta José de Anchieta pode virar santo em abril

Wikimedia Commons

“De janeiro até o presente se fez ali uma pobre casinha feita de torrão e palhas com catorze passos de comprido e doze de largo, moravam bem apertados os irmãos. Ali tinham escola, enfermaria, dormitório, refeitório, cozinha e despensa (...). As camas eram redes, os cobertores o fogo. Para mesa usavam folhas de bananas em lugar de guardanapos (...). A comida vem dos índios, que nos dão alguma esmola de farinha e algumas vezes, mas raramente, alguns peixinhos do rio e, mais raramente ainda, alguma caça do mato (...). Todavia não invejamos as espaçosas habitações, pois Nosso Senhor Jesus Cristo dignou-se morrer na cruz por nós.”

Com essas palavras o je­suí­ta espanhol José de Anchieta descreveu, em agosto de 1554, as instalações do Colégio de Piratininga, o embrião da cidade de São Paulo (onde hoje está o Pátio do Colégio) e do sistema edu­cacional brasileiro, ancorado no exem­plo das escolas de Portugal e Espanha. A descrição encontra-se em uma das inúmeras cartas de Anchieta enviadas a Roma ao basco Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus. Além de conter um valioso diagnóstico do cotidiano social e cultural dos primeiros anos do Brasil colônia, o relato do jesuíta revela um homem de fé, abnegado, caridoso.

“Tais qualidades acompanharam cada passo de Anchieta até o fim de sua vida no Brasil”, diz o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Se tudo correr dentro do previsto, no próximo dia 2 de abril, o papa Francisco, também jesuíta, declarará Anchieta santo da Igreja Católica.

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