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07/03/2014 18:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

"Negrão coitado": antes de bananas, juiz já havia sido vítima de racismo

Diego Vara/Agência RBS/Estadão Conteúdo

Alvo de racismo durante um jogo do Campeonato Gaúcho, o árbitro Márcio Chagas da Silva já havia sido vítima de ofensas racistas há nove anos. Na ocasião, ele foi ofendido por um técnico, que o chamou de “negrão coitado”. Na noite de quarta-feira (5), o juiz acabou sendo xingado durante o jogo entre Esportivo e Veranópolis, em Bento Gonçalves.

Segundo reportagem de Emanuel Soares, da Rádio Gaúcha, Chagas foi alvo de racismo em 2005, na partida do Encantado contra o Caxias, no Estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Na ocasião, o técnico Danilo Mior, do Encantado, chamou Chagas de “negrão coitado”.

Já na última quarta-feira, o árbitro afirmou ter sido ofendido desde o início do jogo, com xingamentos como “macaco” e outros. A situação foi ainda pior quando Chagas deixava o estádio e viu que o seu carro havia sido danificado. Além disso, os supostos agressores ainda deixaram bananas em cima do veículo. Em entrevista ao Globo Esporte, ele se emocionou ao relembrar o incidente.

“Quando me deparei com meu veículo com as portas amassadas e bananas por cima… banana no cano de descarga, eu fiquei muito decepcionado por ser tratado dessa forma, já que vivemos numa cidade relativamente educada e evoluída. Eu pensei no meu filho. Pensei: ‘Eu vou dar um beijo no meu filho’ e dizer "cara, para ti isso não vai acontecer porque isso é muito ruim, é muito ruim", afirmou, entre lágrimas.

A Rádio Gaúcha informou que o caso será investigado também pelo Ministério Público Estadual (MPE). O procurador-geral de Justiça Eduardo de Lima Veiga disse que fatos de racismo no futebol só renderão mudanças quando os clubes forem punidos. Pressionada, a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) destacou, em nota oficial, que irá encaminhar a súmula e os demais documentos ao Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul (TJD-RS), tão logo os receba, e que irá acatar o que for decidido na esfera judicial.

Também em nota, o presidente do Esportivo, Luis Delano Lucchese Oselame, lamentou os atos de racismo, os quais o clube diz repudiar, e afirmou que a direção da equipe “não medirá esforços” para esclarecer o ocorrido, ajudando com “informações que identifiquem os verdadeiros culpados por essas atrocidades”.