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06/03/2014 19:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Partido da base não pode ter duas caras, diz Vicentinho

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), criticou a atuação do PMDB na Casa, em especial do líder Eduardo Cunha (RJ), e afirmou que o aliado não pode se comportar como partido de oposição. O PMDB lidera um blocão formado por oito partidos, com 250 deputados, que tem encaminhado votações contra o interesse do governo. "Partido da base não pode ter duas caras, ser oposição e situação ao mesmo tempo", disse Vicentinho. "Ameaçar a aliança é tirar um ícone do PMDB, o Michel Temer, da vice?", questionou.Dizendo que não se pode esticar a relação "até quebrar", Vicentinho defendeu um diálogo do governo com a direção nacional do PMDB, citando nominalmente Michel Temer. Afirmou que Eduardo Cunha não pode ser excluído, mas também não pode ser tido como principal interlocutor.O líder petista reclamou ainda que tem faltado negociação para evoluir na pauta da Casa, como no Marco Civil da Internet, ao qual Cunha faz oposição declarada. Vicentinho questionou ainda o apoio do "blocão" ao pedido da oposição para criar uma comissão externa para investigar denúncias de pagamento de suborno a funcionários da Petrobras por uma empresa holandesa.PECsVicentinho defendeu também a votação da proposta de emenda à Constituição que reduz para 40 horas semanais a jornada de trabalho. Ele diz que levará o tema à reunião de líderes da Casa como prioridade de seu partido. Vicentinho é o relator da proposta."O governo não pode ser contra porque o setor público já trabalha 40 horas. No setor privado, grande parte já trabalha assim também. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) já tem uma convenção sobre isso. E já é consenso que qualquer jornada acima de 40 horas semanais provoca problemas de saúde", diz o líder petista.Sindicalista, o deputado quer levar adiante também o fim do fator previdenciário. Nesse caso, porém, quer construir uma solução com o governo. A intenção inicial é substituir a fórmula por outra que penalize menos os trabalhadores e seja de fácil compreensão, como um cálculo que leve em conta apenas a idade e o tempo de contribuição.