MULHERES
06/03/2014 18:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Anistia Internacional diz que 150 milhões de meninas sofreram agressão sexual

Sathish_Photography via Getty Images

Sábado (8) é Dia Internacional da Mulher e há poucos motivos para comemorar. Há 150 milhões de mulheres no mundo com menos de 18 anos que atualmente já sofreram um abuso de natureza sexual. São 142 milhões as que estão em risco de casarem ainda crianças entre 2011 e 2020.

A saúde e a vida de milhões de mulheres no mundo inteiro estão sob ameaça por falhas de governos para garantir direitos sexuais e reprodutivo de seu povo, segundo a Anistia Internacional, que lançou uma campanha global sobre o assunto nesta quinta-feira (6).

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A nova campanha da Anistia Internacional – Meu Corpo, Meus Direitos – sobre o poder das pessoas exercerem sua sexualidade de forma plena fará parte da agenda global da organização ao longo dos próximos dois anos.

“É inacreditável que no século 21 alguns países ainda tolerem casamento infantil e o estupro marital, enquanto outros proíbem aborto, sexo fora do casamento e a união entre pessoas do mesmo sexo, que são até puníveis com pena de morte”, disse Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional.

Ainda segundo a pesquisa, chega a 14 milhões o número de mulheres que têm um filho todos os anos, a maior parte em resultado de abusos sexuais ou uma gravidez indesejada. Mais de 215 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos, apesar de desejarem não ter ou adiar uma gravidez. Pelo menos 76 países consideram ilegal e criminalizam a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo – 36 deles estão no continente africano.

Repressão

Pesquisas e estatísticas reunidas pela organização mostram a existência de uma crescente repressão dos direitos sexuais e reprodutivos em muitos países pelo mundo onde é dada prioridade a políticas opressivas sobre as liberdades e garantias fundamentais e os direitos humanos. Tudo isto sinaliza um futuro muito perigoso para a próxima geração, caso o mundo continue a desviar o olhar a esta repressão dos direitos sexuais e reprodutivos. Os números são chocantes.

A campanha Meu Corpo, Meus Direitos encoraja jovens de todo o mundo a conhecerem e exigirem o exercício do seu direito a tomarem decisões sobre a sua saúde, o seu corpo, a sua sexualidade e a sua reprodução, sem controle do Estado, nem medo, nem coerção ou discriminação. A campanha visa também lembrar aos líderes mundiais as suas obrigações em adotarem uma atitude pró-ativa, incluindo a disponibilização de serviços de saúde na área dos direitos sexuais e reprodutivos.

Dados divulgados pela Anistia Internacional:

- 150 milhões de meninas com idade inferior a 18 anos já foram agredidas sexualmente

- 142 milhões de meninas estão propensas a casar ainda crianças entre 2011 e 2020

- 14 milhões de adolescentes dão à luz todos os anos, principalmente como resultado de sexo forçado e gravidez indesejada

- 215 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos, mesmo que queiram evitar a gravidez

- A atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo é ilegal em pelo menos 76 países, dos quais 36 estão na África

Leia a publicação sobre direitos sexuais e reprodutivos da campanha Meu Corpo, Meus Direitos aqui.

ONU

No ano passado, a ONU também lançou uma campanha interessante contra o sexismo e a discriminação contra as mulheres. Foi divulgada uma série de anúncios desenvolvida pela agência de publicidade árabe Memac Ogilvy & Mather Dubai para a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) utilizando pesquisas do Google. Os anúncios expõem sentimentos negativos por meio de estereótipos e da negação absoluta dos direitos das mulheres. Confira:

Todos os anúncios podem ser vistos aqui.