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04/03/2014 17:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Comlurb demite 300 garis, e greve continua no Rio

Daniel Scelza/Estadão Conteúdo

Pelo quarto dia consecutivo, as ruas do Centro do Rio de Janeiro amanheceram nesta terça-feira de carnaval cobertas de lixo, devido à greve deflagrada na madrugada do último sábado por um grupo de garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb).

A Comlurb anunciou nesta terça que vai demitir os cerca de 300 garis que não compareceram ao trabalho para o turno das 19h desta segunda-feira.

Apesar das demissões e de um acordo anunciado na segunda entre a estatal e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio, a paralisação continua, agora com protesto.

Os garis em greve, que estavam concentrados em frente à prefeitura do Rio, foram para a Praça General Osório, em Ipanema, na zona sul. Com faixas, caminharam até a praia, onde está concentrada a Banda da Praia Ipanema.

Em ritmo de samba, os garis cantavam que “Neste carnaval, o prefeito vai varrer sozinho”. O grupo com cerca de 300 pessoas está na Vieira Souto cantando o Hino Nacional, observados por foliões que vão acompanhar a Banda de Ipanema. Vários foliões demonstraram apoio ao protesto, cantando e dançando e aplaudindo.

Os garis querem um novo encontro com representantes da prefeitura para negociar nova proposta de ajuste salarial e melhores condições de trabalho, em vez da que foi acordada ontem pelo sindicato e pela Comlurb. Os grevistas não reconhecem o sindicato como representante da categoria e alegam que as reivindicações da maioria não foram ouvidas pela entidade.

Demissão

A demissão está prevista na cláusula 65 do acordo firmado entre a Comlurb e o sindicato da categoria. Quem retornou ao trabalho terá os dias parados abonados, segundo a companhia, que possui cerca de 15 mil garis.

Até as 11h desta terça, não havia sinal de garis realizando a limpeza das principais vias do centro da cidade, como as avenidas Rio Branco, Presidente Vargas, Chile, Almirante Barroso, além do Largo da Carioca, do bairro boêmio da Lapa, e das Praças 15 e Tiradentes. Estes locais concentram grande parte do carnaval de rua da região. Os banheiros químicos instalados nesses locais para atender os foliões também estavam sem manutenção.

Pelo acordo coletivo anunciado ontem, os garis terão 9% de aumento salarial (o piso passará para R$ 874,79), mais 40% de adicional de insalubridade. Segundo a Comlurb, com isso, o vencimento inicial passará a ser de R$ 1.224,70. Além do aumento salarial, o acordo garantiu mais 1,68% dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão horizontal. "É importante lembrar que, nos últimos cinco anos, os garis tiveram 50% de ganho real em seus salários. Em termos absolutos, o ganho foi de 85%, o dobro dos 43% do salário mínimo nacional nesse mesmo período", informa o comunicado da empresa de limpeza divulgado nesta manhã.

Os grevistas, no entanto, reivindicam piso salarial de R$ 1.200, além do adicional de 40%. "Nosso trabalho é extremamente prejudicial para a saúde. Quando a gente se aposentar, os 40% de adicional não serão incorporados. Esse reajuste de 9% é o mesmo que a categoria havia rejeitado antes, mas dessa vez o sindicato aceitou", disse o gari Ivair Oliveira de Souza, um dos líderes do movimento grevista. "A prefeitura quer nos pagar o piso salarial do Estado do Rio. Não estamos mais numa ditadura. Numa democracia, o que deve prevalecer é a negociação", completou.

Souza afirmou ainda que até o momento desconhece qualquer caso de demissão. Segundo ele, o movimento de paralisação conta com cerca de 2 mil garis, e não apenas 300 como informou a Comlurb.

Em meio à negociação de melhorias salariais na semana passada com a Comlurb, o sindicato chegou a anunciar a greve para o primeiro minuto de sábado, mas voltou atrás. No entanto, um grupo de garis resolveu manter a paralisação. O sindicato, então, divulgou nota dizendo que os grevistas "não têm representatividade". No domingo, a pedido da companhia de limpeza, o plantão da Justiça do Trabalho declarou a paralisação ilegal e concedeu liminar determinando o imediato retorno dos garis ao trabalho.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)