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26/02/2014 08:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Denúncias da Petrobras devem ser prioridade da pauta da Câmara nesta quarta-feira

sapiamaia/Flickr
Brasília

O chamado "centrão", bloco informal composto por deputados de oito partidos da base, descontentes com a articulação política da presidente Dilma Rousseff, enviou na última terça-feira (25) um recado duro ao Planalto e colocou como primeiro item da pauta um requerimento para que uma comissão externa viaje para a Holanda e acompanhe investigações que citam a Petrobras.

"Foi uma decisão quase unânime de todos os líderes. Vou cumprir meu dever regimental de por em pauta", disse o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os deputados já discutem o tema em Plenário, mas o governo tenta obstruir a votação por manobras regimentais.

Na reunião de líderes da base finalizada na última terça (25), de nada adiantou a tentativa encampada pelo líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de barrar o pedido. Chinaglia chegou a propor a convocação da presidente da Petrobras, Graça Foster, ao Congresso Nacional para prestar esclarecimentos, mas os deputados que compõem o bloco mantiveram a decisão de apoiar o requerimento originalmente proposto pela oposição. "O Arlindo chiou, argumentou, fez o papel dele. Prometeu trazer a presidente da Petrobras como se ela fosse presidente da República. Aí é demais", disse o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ).

O bloco, que inclui deputados do PMDB, PP, PR, PTB, PDT, PSC, decidiu apoiar o pedido para que uma comissão externa formada por parlamentares acompanhe na Holanda as investigações do esquema de pagamento de subornos a empresas no qual a Petrobras é mencionada. Autoridades daquele país apuram se a empresa SBM pagou propina a funcionários da estatal brasileira em negócios envolvendo a compra de plataformas.

O apoio do chamado "centrão" ocorre como uma retaliação por problemas da articulação política do Planalto. Os parlamentares reclamam de problemas com a liberação de emendas, falta de espaço em cargos e tratamento diferenciado dado pelo governo a deputados do PT. Somou-se ao descontentamento o desempenho do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, numa reunião com lideranças da base na última segunda (24) que contou também com a presença do vice-presidente Michel Temer e da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

A pauta da sessão das 11 horas desta quarta-feira inclui proposta da criação da comissão para acompanhar as investigações da Petrobras e as seis propostas que trancam a pauta das sessões ordinárias do Plenário - entre elas, o marco civil da internet. Em seguida, haverá outra sessão extraordinária para analisar o novo Código de Processo Civil (CPC).