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25/02/2014 09:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Tabloide de Uganda publica "lista negra" de homossexuais após aprovação de lei antigay

Stephen Wandera/AP

Um tabloide ugandense publicou nesta terça-feira (25) uma lista dos “top 200 gays” do país, um dia após o presidente assinar uma lei antigay que penaliza com prisão perpétua o sexo homossexual.

O tabloide “Pimenta vermelha” (“Red Pepper”, em inglês) publicou os nomes e algumas fotos de supostos homossexuais em uma matéria de capa com a chamada “EXPOSTOS!” (“EXPOSED”, em inglês). A lista enumerou inclusive ugandenses que “não saíram do armário”, ou não se identificam como gays.

Entre os listados, está o conhecido ativista gay Pepe Julian Onziema, que advertiu várias vezes que a lei antigay provocaria atos de violência contra homossexuais, uma estrela do hip hop e um padre católico.

“A caça às bruxas da mídia voltou”, tuitou a ativista lésbica Jacqueline Kasha, que também figura na lista.

Poucos ugandenses saem do armário em um país onde ser homossexual é crime. A publicação desta terça lembra uma lista semelhante de outro tabloide que saiu de circulação depois de pedir a execução de gays em 2011.

Na época, o ativista gay David Kato, que defendia os direitos gays em Uganda, foi assassinado pouco depois da publicação da lista. Mais tarde, um juiz condenou a publicação dizendo que era invasão de privacidade.

A lei antigay de Uganda, que foi promulgada um mês depois que a Nigéria aprovou uma medida semelhante, foi condenada internacionalmente, mas é popular no país. Depois que o presidente Yoweri Museveni assinou a lei, dizendo que era necessária como oposição à “campanha do ocidente para promover a homossexualidade em Uganda”, o secretário de estado americano John Kerry disse que a medida pode levar ao corte de ajuda dos EUA ao país.