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25/02/2014 13:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

20 anos do Plano Real: "Brasil precisa de sangue novo", diz FHC

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Brasília (AE) - Brasília - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu, nesta terça-feira, 25, que o Brasil precisa de "ar novo" e "sangue novo". Em solenidade no Senado de homenagem aos 20 anos do Plano Real, o ex-presidente disse que a democracia requer sempre renovação e que está na hora de mostrar ao País que há caminhos. "É preciso ter coragem para dizer as coisas, sem agressividade, mas com clareza: já está passando da hora, há momentos em que é preciso renovar", afirmou.

Sob risos da plateia, Fernando Henrique disse que a sua geração "já passou". "Somos todos octogenários, nós já morremos". Segundo ele, é preciso "passar para outra geração", uma vez que o País tem muita gente jovem e com entusiasmo para mudar.

O ex-presidente afirmou que o Brasil está avançando e destacou que é bom que avance mesmo. Mas defendeu que chegou o momento de o País tomar novos rumos. "Nós ainda estamos com os olhos no passado", disse. Ele destacou que a economia contemporânea requer inovação. "Nós descuidamos disso, estamos sentindo que está pulsando e que é preciso de uma nova palavra para abrir novos horizontes para o Brasil", continuou.

Fernando Henrique disse ter sido criticado durante suas gestões porque não foi aprovada uma ampla reforma política. Mas, numa crítica ao governo Dilma Rousseff, disse que o momento chegou diante do quadro de fragmentação partidária. "Agora não dá mais, não dá mais, não é possível conviver com 30 partidos e 39 ministérios. É a receita para a paralisação da administração".

O ex-presidente disse ter sido criticado durante suas gestões porque não foi aprovada uma ampla reforma política. Mas, numa crítica ao governo Dilma Rousseff, disse que o momento chegou diante do quadro de fragmentação partidária. "Agora não dá mais, não dá mais, não é possível conviver com 30 partidos e 39 ministérios. É a receita para a paralisação da administração".

Ao chegar para a cerimônia, antes de discursar, FHC disse que se preocupa com os rumos da economia, mas destacou que não pode cometer injustiças sobre o controle da inflação. "Não posso ser injusto e dizer que o governo não controla a inflação. Eu tinha 20%, 30% ao mês. Agora são 6% ao ano". Ele destacou como importante o cumprimento de metas da inflação e a manutenção da Lei de Responsabilidade Fiscal, e ressaltou que não há receita para uma boa condução econômica. "Política econômica é navegação. Não pode ter uma ideia fixa, mas alguns rumos precisam ser mantidos", afirmou FHC, que aproveitou ainda para criticar a condução dada pela presidente Dilma Rousseff ao assunto: "Nesse momento o Brasil está um pouco em um compasso diferente do resto do mundo".

Ao comentar artigo do ex-presidente Lula publicado hoje no jornal Valor Econômico, Fernando Henrique concordou com o petista no que diz respeito à melhoria do Brasil, mas disse que "o presidente Lula sempre faz uma comparação como se a história começasse com ele". "Ele (Lula) disse que a inflação em 2002 era de 12% e agora é de 6%. Só que, em 2002, a inflação era dele. Nós derrubamos de quando era 40% ao mês".

Para o ex-presidente FHC, o Brasil tem condições de competitividade, mas está em desvantagem. "A tributação é muito elevada, as estradas ruins, os portos, ruins, encarece a produção. Isso tudo tem que ser enfrentado. Dá para enfrentar? Dá. Vamos enfrentar", finalizou.