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24/02/2014 09:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Número de presos em protestos em 2014 já supera 2013

TIAGO CHIARAVALLOTI/Estadão Conteúdo

O número de detidos pela Polícia Militar nos protestos de rua na capital paulista neste ano já supera o registrado em todas as manifestações de 2013.

Dados obtidos pelo Estado com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam que nos dois atos contra a Copa, realizados no dia 25 de janeiro e anteontem, 397 pessoas foram encaminhadas a delegacias para averiguação ou acusadas de vandalismo - em todo o ano passado, foram 374 detenções.A SSP não informou em quantas manifestações essas prisões ocorreram.

Levantamento feito pelo Estado mostra que foram realizados ao menos 15 grandes atos na capital em 2013. Os balanços refletem a mudança de estratégia da PM, que tenta dispersar os protestos com prisões antes de começar as depredações. Só no sábado, foram 262 detidos.

Ontem, o comandante do policiamento na região central da capital, coronel Celso Luiz Pinheiro, disse que a polícia começou as prisões na Rua Xavier de Toledo, no centro, antes do quebra-qeubra para se antecipar à ação dos black blocs, e classificou a operação como "um sucesso". O tumulto começou em seguida.

"Tivemos menos danos ao patrimônio, menos policiais e menos civis feridos e menos confrontos", disse Pinheiro sobre o cerco feito pela PM a um grupo de 150 pessoas, incluindo jornalistas, na estreia do pelotão ninja - policiais especializados em artes marciais que aplicaram golpes em vez de dispararem balas de borracha.

"A ação (policial) foi no exato momento em que recebemos a informação do nosso serviço de inteligência de que haveria quebra da ordem", afirmou o coronel.

Segundo a PM, cinco policiais, dois manifestantes e um jornalista ficaram feridos e ao menos duas agências bancárias foram depredadas. A megaoperação envolveu 2,3 mil policiais, número superior aos 1,5 mil manifestantes calculados pela polícia. Apesar do aparato, nenhum dos detidos foi autuado em flagrante e todos foram liberados.

No ano passado, foram 116 flagrantes, que resultaram em inquérito na Polícia Civil que já ouviu quase 300 pessoas.

Provas - De acordo com Pinheiro, embora a PM tenha se antecipado "a uma iminente quebra da ordem" anteontem, foi possível produzir provas contra os black blocs em vídeos feitos pela própria corporação. O coronel pediu desculpas aos jornalistas que foram agredidos por policiais - ao menos seis chegaram a ser detidos e depois liberados - e disse que "excessos serão apurados" na corporação. "Não compactuamos com desvios de conduta", afirmou.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Marcos da Costa, "pelo volume de pessoas detidas, e por ter profissionais da imprensa, parece claro ter havido um excesso de autoridade."

"Tivemos a informação de que houve até mesmo o cerceamento de advogados no acompanhamento de pessoas encaminhadas à delegacia. Verificaremos amanhã e, se houve, nós vamos reagir à quebra de prerrogativas dos advogados", disse Costa. A reclamação foi feita pelo Coletivo Advogados Ativistas.