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19/02/2014 11:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Ucrânia vira cabo de guerra geopolítico e preocupa vários países

ASSOCIATED PRESS
Monuments to Kiev's founders burn as anti-government protesters clash with riot police in Kiev's Independence Square, the epicenter of the country's current unrest, Kiev, Ukraine, Tuesday, Feb. 18, 2014. Thousands of police armed with stun grenades and water cannons attacked the large opposition camp in Ukraine's capital on Tuesday that has been the center of nearly three months of anti-government protests after at least nine people were killed in street clashes. (AP Photo/Efrem Lukatsky)

Na terça-feira (18), a polícia antidistúrbios da Ucrânia entrou em confronto com manifestantes que ocupavam uma praça central de Kiev, que responderam à investida usando capacetes e armados com paus. O saldo do dia 18 até agora é de 25 mortos e mais de 240 feridos, o dia mais sangrento da batalha em Kiev até agora.

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Inicialmente, os manifestantes tomaram as ruas para exigir uma proximidade maior da Ucrânia, ex-república soviética que conquistou sua independência há mais de 20 anos, com os EUA e a Europa. No ano passado, o governo ucraniano rejeitou um acordo comercial com a União Europeia para manter sua relação próxima com a Rússia, um aliado do presidente Viktor Yanukovich. Os protestos viraram um cabo de guerra geopolítico entre o Ocidente e a Rússia e vários países demonstraram preocupação com a violência no país. Confira as principais reações do mundo:

UE

O presidente da União Europeia (UE), Jose Manuel Barroso, manifestou nesta quarta-feira (19) “choque e medo” em relação à violência em Kiev e culpou o governo ucraniano pela situação. Barroso também disse que a EU deveria impor sanções ao país. Uma reunião de emergência com os chanceleres do bloco europeu foi marcada para a tarde de quinta-feira (20).

EUA

O vice-presidente americano Joe Biden ligou para o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, para expressar “sérias preocupações” e pedir a retirada das forças de segurança e prudência máxima. Os EUA anunciaram que condenam a violência de todas as partes, mas que o governo tem responsabilidade de conter a situação.

Rússia

O chanceler russo culpou o Ocidente pelo aumento da violência na Ucrânia e culpou a oposição pelo “derramamento de sangue”. Para o governo russo, os opositores devem tomar a iniciativa de promover o diálogo com o governo.

Alemanha

Em um primeiro momento, a Alemanha se recusou a apoiar os pedidos de Washington por sanções contra o governo ucraniano. Porém, depois da terça-feira, o ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier disse que o país deve rever essa posição.

Suécia

“Devemos ser claros: a responsabilidade por mortes e violência é do presidente Yanukovych. Ele tem sangue nas mãos”, disse o chanceler sueco Carl Bildt em seu Twitter.

Vaticano

O papa Francisco fez um apelo por paz na Ucrânia no final de sua audiência geral de quarta-feira na praça São Pedro, no Vaticano.

Polônia

O primeiro-ministro Donal Tusk disse ao Parlamento nesta quarta-feira que é hora de impor sanções à Ucrânia.

Dinamarca

“O governo ucraniano deve se responsabilizar para começar imediatamente um diálogo com a oposição”, disse o chanceler Martin Lidegaard.

ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar chocado com a violência na Ucrânia, que classificou como “inaceitável”, e pediu “a retomada imediata de diálogo genuíno” entre as partes.

Ucrânia

Em vez de acalmar a população, o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, alertou seus opositores nesta quarta-feira de que pode fazer uso da força contra eles, após o que chamou de tentativa de "tomar o poder" por meio de "incêndios e assassinatos". Em comunicado na internet, o presidente disse que havia evitado a violência ao oferecer o diálogo, mas que está sob pressão de conselheiros para assumir uma “postura mais dura”.

(Com Associated Press)