NOTÍCIAS
18/02/2014 21:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Venezuela e Ucrânia: países são sacudidos por protestos

Dois grandes protestos sacudiram a Venezuela e a Ucrânia nesta terça-feira, 18. Nos dois países, as manifestações vêm numa escalada nos últimos dias e suas consequências são incertas.

Venezuela: líder oposicionista se entrega e milhares vão às ruas.

Protestos na Venezuela

Em Caracas, dezenas de milhares de manifestantes inundaram as ruas depois que forças de segurança prenderam o líder da oposição Leopoldo López, acusado de fomentar a agitação contra o governo e a violência que já matou pelo menos quatro pessoas nos últimos dias.

Segundo relato da agência Reuters, manifestantes vestidos de branco bloquearam o tráfego nas ruas de Caracas enquanto um veículo de segurança transportando o economista de 42 anos andava no ritmo de um caracol depois que ele se rendeu às forças de segurança durante uma manifestação da oposição.

"Não tenho nada a esconder", disse ele a partidários antes de sua detenção. "Eu me apresento a um judiciário injusto... Que minha prisão possa servir para acordar o povo", acrescentou no discurso.

Minutos depois, ele se entregou a militares, com o punho fechado e entrando no veículo com uma bandeira venezuelana em uma mão e uma flor branca na outra.

López era procurado para responder a várias acusações, incluindo assassinato e terrorismo, mas ele diz que está sendo usado como bode expiatório de um governo ditatorial.

De dentro do veículo militar, ele pediu aos manifestantes que abrissem caminho para que as autoridades pudessem levá-lo. Enquanto seus partidários gritavam "Leopoldo, o povo está com você", ele foi transferido para uma van preta e levado embora.

Seus partidários seguiram o carro por vários quilômetros até que foi levado a uma base militar, com a polícia fechando o acesso a várias avenidas para controlar a multidão.

Os manifestantes permaneceram concentrados nos arredores da base aérea de La Carlota, no leste de Caracas, e em outros lugares.

A prisão de López poderá inflamar a oposição e estimular mais manifestações de rua contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, embora não haja nenhum sinal imediato de que os protestos vão derrubar o líder socialista.

A ministra da Informação, Delcy Rodríguez, disse via Twitter que um trabalhador têxtil de Caracas foi morto a tiros nesta terça-feira por "grupos violentos" que buscam promover um golpe planejado pelos Estados Unidos. As autoridades não responderam aos pedidos de informações adicionais.

Na cidade costeira de Carupano, no leste do país, moradores disseram que um estudante de 17 anos atropelado por um carro morreu depois de uma manifestação contra o governo. Além dele houve outras três mortes, na semana passada, em Caracas, de pessoas atingidas por tiros.

As manifestações lideradas por estudantes se multiplicaram no país, no maior desafio para Maduro desde sua eleição no ano passado, após a morte de Hugo Chávez. Os manifestantes exigem a renúncia de Maduro, cujo governo é de linha socialista, e relacionam um grande número de queixas, como inflação, criminalidade, corrupção e escassez de produtos.

"O país está numa situação insustentável", disse o cineasta José Sahagun, de 47 anos, vestido de branco como a maioria dos milhares de manifestantes que se uniram a López no leste de Caracas. "A máscara do governo caiu. Esse homem (Maduro) está no poder há dez meses e a deterioração está sendo rápida."

Não há também nenhuma evidência de que os militares possam se voltar contra Maduro, de 51 anos. "As Forças Armadas sempre estarão do lado da justiça e do desenvolvimento da pátria", disse a ministra da Defesa, Carmen Meléndez. "Cada ato de violência nos leva de volta à intolerância."

No final da semana passada, o presidente Maduro chegou a dizer que "a Venezuela não é a Ucrânia".

Ucrânia: após esperança de acordo, protestos voltam com mais força

Protestos na Ucrânia

Em Kiev, capital ucraniana, os confrontos ocorridos nesta terça-feira deixaram pelo menos 18 mortos, dos quais 11 civis e sete policiais, segundo autoridades locais. Olha Bilyk, porta-voz da polícia, disse à Associated Press que pelo menos seis policiais morreram e que três dos sete civis mortos provavelmente foram vítimas de disparos de armas de fogo.

O governo fechou estações de metrô no centro da capital e, após darem um ultimato para que os confrontos cessassem até as 18h locais, as forças de segurança entraram no acampamento permanente de protesto contra o governo na Praça Independência, na região central de Kiev.

O líder oposicionista Vitali Klitschko conclamou os manifestantes a defenderem o acampamento. Os policiais usaram canhões d'água e bombas de efeito moral contra os manifestantes, que reagiram com paus, pedras e bombas incendiárias. Minutos depois, grande parte do acampamento era consumido pelas chamas.

Foi o pior episódio de violência das últimas semanas.

Os protestos tiveram início em novembro, depois de o presidente Viktor Yanukovich decidir não assinar um acordo que aproximaria o país da UE. Nos últimos dias, governo e oposição anunciaram um possível acordo, mas depois que o Parlamento adiou a sessão dessa terça-feira para discutir a questão da redução dos poderes presidenciais, milhares tomaram o rumo do Parlamento para pressionar os integrantes do Legislativo.

Acompanhe abaixo o streaming das manifestações.

Com agências internacionais