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16/02/2014 09:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

O que está acontecendo com o campo de diálogo no Brasil?

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Há algo de podre na República Federativa do Brasil. Nesta semana, cinco articulistas do primeiro time publicaram artigos nos quais alertam para uma tendência de radicalização da sociedade e do debate político no país.

Na quarta-feira, 12, o articulista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, escreveu o artigo “O centro invisível”: “Tem havido uma polarização exacerbada nos grandes debates brasileiros. É sempre fácil enxergar as posições nos dois extremos do espectro político-ideológico. Só o centro parece invisível.” Segundo Rodrigues, “há hoje muitas ideias fora do lugar no Brasil. É um enigma aonde isso vai dar, sobretudo em ano eleitoral”.

Na quinta-feira, 13, foi a vez de Clóvis Rossi, também articulista da Folha, lançar sua advertência no artigo “Não éramos cordiais?".

Ao comentar a morte do cinegrafista Santiago Andrade após ter sido atingido por um rojão lançado por manifestantes durante protestos no Rio, o veterano jornalista afirmou: “É um atentado ao convívio civilizado entre brasileiros, um degrau a mais na escalada impressionante de violência que está empurrando o país para um teor ainda mais exacerbado de barbárie”.

“Antes que o desamparo e a violência sem quartel se tornem completamente descontrolados, seria desejável o surgimento de lideranças capazes de pensar na coisa pública, em vez de se dedicarem a seus interesses pessoais, mesmo os mais legítimos", concluiu Clóvis.

Na sexta-feira, 14, o Brasil Post publicou texto de Emanuel Neri, que já trabalhou em veículos como Folha e Veja e é autor do blog noBalacobaco. Neri elenca nove “casos marcantes de intolerâncias e preconceitos que assustaram o Brasil – ou pelo menos parte do Brasil que pensa de forma mais civilizada” neste início de 2014.

“Pelo que se pode perceber, o Brasil -- ou pelo menos parte dele -- está calibrando cada vez mais suas armas letais do preconceito contra pobres, negros, homossexuais e estrangeiros -- como é o caso dos médicos cubanos que, por serem negros, já foram chamados de ‘escravos’ por médicas brasileiras” escreveu Neri.

Também nesta sexta, 14, o ex-deputado federal Fernando Gabeira, que deixou a política para se dedicar novamente ao jornalismo, publicou no jornal O Estado de S.Paulo artigo intitulado “O Ovo da Serpente”, título de filme de Ingmar Bergman que mostra os conflitos e a desordem que antecederam a ascensão do nazismo. “Vivemos um momento complicado de violência, deboche, em que quase todos os conflitos degeneram em agressões, incêndios: a democracia não anda bem em nosso país”, alerta Gabeira.

“As mediações políticas acabaram. A democracia brasileira é um veículo sem o jogo de molas, que avança aos solavancos ameaçado pelo perigo de empacar. Carece de um lubrificante essencial: o diálogo”, afirmou Gabeira, que conclui com uma pergunta. “Que País vai emergir desses confrontos cotidianos em 2014?”

Um dia depois, neste sábado, 15, foi a vez do escritor Luis Fernando Veríssimo publicar o contundente "O incrível e o inacreditável", uma crônica pessimista sobre este verão. "Inacreditável é, depois de dois mil anos de civilização cristã, existir gente que ama seus filhos e seus cachorros e se emociona com a novela e mesmo assim defende o vigilantismo brutal, como se fazer justiça fosse enfrentar a barbárie com a barbárie, e salvar uma sociedade fosse embrutecê-la até a autodestruição."

Falaram e disseram... e vocês, o que acham? Vamos resgatar o campo de diálogo? Cadastrem-se no site do Brasil Post e comentem.