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14/02/2014 09:04 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Aldo Rebelo, ministro do Esporte: 'não haverá subaproveitamento das arenas da Copa 2014'

Brazilian Minister of Sports Aldo Rebelo attends a conference of the Public Olympic Authority (APO) ahead of the Rio 2016 Olympic and Paralympic games in Rio de Janeiro, Brazil on January 28, 2014. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA        (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)
YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
Brazilian Minister of Sports Aldo Rebelo attends a conference of the Public Olympic Authority (APO) ahead of the Rio 2016 Olympic and Paralympic games in Rio de Janeiro, Brazil on January 28, 2014. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, mantém o tom otimista que é esperado do comandante da Copa de 2014. Mesmo com atrasos nas obras em estádios, como foi o caso da Arena da Baixada em Curitiba, o ministro demonstra confiança na entrega. "O mais importante é que os trabalhos sejam concluídos com a qualidade esperada", afirma, em entrevista ao Brasil Post, concedida por e-mail.

Rebelo também tenta contemporizar a preocupação dos brasileiros com o legado da Copa. "O que menos podemos temer é um subaproveitamento do legado esportivo da Copa Fifa", afirma Aldo Rebelo. Segundo ele, após o fim da Copa, os estádios brasileiros receberão shows, congressos e até gastronomia, cinema e teatro. O ministro também falou a respeito do legado do Mundial de junho, do futuro das arenas e opinou sobre o trabalho do Bom Senso F.C.

Leia a íntegra da entrevista.

Brasil Post: O que será feito para garantir que o legado das obras da Olimpíada não seja subaproveitado?

Aldo Rebelo: Num país do tamanho do Brasil, com a tradição e o gosto que temos por todos os esportes – especialmente pelo futebol – o que menos podemos temer é um subaproveitamento do legado esportivo da Copa Fifa e da Olimpíada. Todos os espaços esportivos públicos construídos, ou reformados, para esses eventos serão abertos à população. Nos estádios privados, os clubes terão mais condições de receber jovens atletas iniciantes, fazer novas parcerias para ampliar o uso das instalações. E os jogos de futebol, as disputas de atletismo vão atrair público cada vez maior, já que oferecem mais conforto e segurança. Além disso, são espaços multiuso. Podem receber congressos, shows, terão salas de cinema, teatros, restaurantes, academias de ginástica.

Qual finalidade será dada a estádios bilionários, como o Estádio Nacional de Brasília, cidade sem times de tradição? A despesa não foi muito alta tendo em vista o real aproveitamento desse estádio?

Em primeiro lugar, quero dizer que diferença entre o orçamento inicial e o custo de final de uma obra não é exclusividade do Brasil. Especificamente sobre os preços dos estádios, é bom lembrar que a Alemanha apresentou, em 2000, uma previsão de investimentos de 940,6 milhões de euros nos 12 estádios que seriam usados na Copa de 2006. O custo final foi de 1,41 bilhão de euros. A ausência eventual de uma equipe tradicional não é, necessariamente, causa de subutilização de um estádio. O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, recebeu 10 jogos do Campeonato Brasileiro de 2013 com média de público de quase 40 mil pessoas. Esses jogos entre equipes de outras cidades vão continuar acontecendo, o que garante boas arrecadações. E os clubes locais também vão se beneficiar disso. Estádios seguros e confortáveis atraem mais público.

Os atrasos em obras da Copa do Mundo -- seja em obras de mobilidade, aeroportos ou estádios -- foram entendidos pelo senhor como pontuais. Quais providências serão tomadas para que o mesmo não aconteça nos Jogos Olímpicos?

Atrasos sempre têm conseqüências negativas porque alguns testes ficam prejudicados. Mas o mais importante é que os trabalhos sejam concluídos com a qualidade esperada. A preocupação com as obras para as Olimpíadas é a mesma da Copa do Mundo: ter tudo o que é fundamental para os jogos pronto em prazos que não prejudiquem o evento e com qualidade e segurança. Para isso, todos os envolvidos trabalham com muita intensidade.

Até o início deste ano, o Bolsa-Atleta estava atrasado havia meses. O protesto da nadadora Adriana Azevedo pressionou o ministério a pagar os atrasados? Como prevenir essa situação?

O pagamento foi feito por haver recursos disponíveis e pela remoção do entrave burocrático que impedia a operação bancária.

Brasília sofre com uma onda de violência decorrente de uma mobilização do corpo policial por aumentos de salários. A faixa salarial dos soldados da polícia militar de todo país não é alta. Para a Copa do Mundo, estamos preparados para violência em todas as cidades?

Não creio na violência profetizada por setores da imprensa e das forças conservadoras do país.

Os clubes de São Paulo estão sofrendo pressão por parte da torcida e podemos ter uma greve inédita em frente, com risco para o Brasileirão. Como o senhor avalia a ação do Bom Senso? Acha que a ideia pode ganhar corpo suficiente para emplacar uma paralisação do Campeonato Brasileiro?

Espero que os líderes desse movimento, todos atletas de grandes clubes, levem em conta também a situação daqueles contratados pelos clubes pequenos, das divisões inferiores do campeonato brasileiro, dos campeonatos regionais que, muitas vezes, jogam dois, três meses e ficam o resto do ano até sem salário. Movimentos coletivos de reivindicação de direitos terão sempre o meu apoio, desde que levem em consideração a situação da maioria, a condição do País e garantam avanços para o País e não só para uma parte de uma categoria de trabalhadores.