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28/01/2014 09:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Protesto, Copa, eleições: a urna é a rua de 2014

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Leo_Djorus/Flickr
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Os protestos no Brasil de 2014 começaram com um jovem de 22 anos baleado em São Paulo e com fogo e depredação na Arena das Dunas, em Natal. A indignação com os gastos bilionários da Copa é a força-motriz dos atos que eclodiram em pelo menos oito cidades-sedes no fim de semana. Em outubro, a revolta que insufla as manifestações contra o Mundial e contra a má qualidade dos serviços públicos pode ser determinante para o voto. "O local próprio para demonstrar-se descontentamento é a urna", defende o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, em entrevista ao Brasil Post.

A rua de outubro será a urna, onde cada brasileiro poderá depositar sua esperança em mudanças e correções necessárias. O movimento que pode efetivamente melhorar o País será uma continuação do #vemprarua — a hashtag de ordem que espalhou manifestações pelo País em junho passado.

Os atos reunindo centenas de milhares de pessoas desnortearam autoridades em 2013. E ainda hoje assombram o governo federal, que já articula reunião emergencial para prevenir protestos e confrontos de manifestantes e policiais militares como o de sábado (25). Na capital paulista, Fabrício Proteus Nunes, 22, levou um tiro da PM, que o acusa de ser black bloc.

Cenas de violência de vândalos e repressão policial seriam um desconvite à festa da Copa, tão desejada pela Fifa e pelo time da presidente Dilma Rousseff. A ebulição dos brasileiros fora dos gramados vai competir com os jogos pelos olhares da comunidade internacional. Protestos e possíveis confrontos poderão ser lembrados pelo mundo bem mais que os lances de Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi.

black blocs protestos

Com receio, os cartolas da Fifa estudam acompanhar à distância o Mundial e estar no Brasil apenas para o jogo de abertura e a final. Seguirão o exemplo do presidente da entidade, Joseph Blatter, que deixou o País no ano passado em meio às manifestações da Copa das Confederações.

Seguramente, a organização da Copa e possíveis manifestações no País vão ajustar o placar eleitoral de 2014. Dilma espera que uma boa apresentação do elenco de obras federais carimbe seu passaporte rumo à reeleição. Os principais adversários dela, Aécio Neves e Eduardo Campos, ficarão na arquibancada, atentos ao duelo de vozes dos torcedores da Seleção e dos manifestantes contra a Copa. Quem falará mais alto: o torcedor ou o manifestante?

A resposta pode ser: ambos. Os torcedores, os manifestantes, todos são eleitores. O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, espera que o movimento das ruas seja transportado para as eleições. "Que assim ocorra para surgirem dias melhores nesta sofrida República", reflete.