OPINIÃO

Você trocaria um naufrágio certo por uma tentativa de remarmos juntos?

15/12/2016 15:12 -02 | Atualizado 15/12/2016 15:12 -02
Philby Illustration via Getty Images
Old-fashioned sailing ship breaking up hitting rocks

Estamos todos no mesmo barco. Cada um na sua função. Do marinheiro que limpa o convés ao almirante, da nata do empresariado ao analfabeto. Não importa a sua função, o que importa é que: estamos todos no mesmo barco. E, sendo assim, ninguém quer que ele afunde.

O que eu quero dizer com isso é que todos nós, cidadãos (e pessoas mentalmente saudáveis), buscamos uma sociedade sem tretas, um país delícia e um mundo saudável. O problema é que cada um tem uma estratégia para isso.

Eu sei que você, assim como eu, já ouviu a opinião de alguém e a comparou com um caminhão de bosta (sem eufemismos por aqui). Eu sei que você também, muito provavelmente, já imaginou esse mesmo caminhão vindo em sua direção antes mesmo da outra pessoa abrir a boca para começar a falar. Grande erro.

Nesses tempos atuais, politicamente trevosos, é muito comum a gente ouvir comparações de que brasileiro trata a política como se fosse futebol. É Fla x Flu. Pois bem. O que acontece quando um time entra em campo cheio de si e subestimando o adversário? É, perde. E de lavada, normalmente. Aquele 7 a 1 difícil de esquecer.

Quando encontramos alguém com ideias políticas diferentes das nossas, a gente subestima o "adversário". A gente para de ouvir, não entende a estratégia daquele jogo. Também não é para menos. É impossível manter um diálogo com alguém que você tem certeza de que está totalmente errado. Bom, a novidade é que 100% não existe. Ou, como me ensinou minha terapeuta, quanto maior a luz, maior a sombra (e vice-versa).

Basta olhar para a história do mundo: discursos extremistas dão muito errado. O equilíbrio é fundamental. Yin-Yang. Um estimula ao outro. A gente precisa saber identificar o que há de bom por trás de cada discurso, aparentemente, sem noção. Sem subestimar a capacidade do outro em também ter boas ideias, como as suas e as minhas. Depois a gente junta os retalhos que prestam, passa um perfume e dá o nome de Reforma Política. Já pensou? Que orgulho!

Então, quando avistar aquele caminhão carregado de bosta estacionando no seu jardim da vida, aproveite o momento para fertilizar pequenas sementes contestadoras. Não concorda com o que está sendo dito? Se interesse em saber o que levou o motorista desse caminhão a seguir por essa estrada esquisita. Tente se colocar no lugar dele (é a tal da empatia). Em vez de querer enfiar a sua muda de planta ideológica com raiz e tudo goela abaixo da criatura que está na sua frente, pergunte se ela gostaria de saber o que você pensa. E claro, tenha argumentos.

Não existe conversa sem argumentos. Uma conversa onde só existe opinião é um ringue. Dali só sai tiro, porrada, bomba e intolerância. E, só para lembrar, não queremos isso. Nem eu, nem você. Nem a tia Léia, nem o 'seu' Zé e nem o Dr. Claudio querem. Muito menos o pessoal do churras na laje. Afinal, estamos todos no mesmo barco e não queremos que ele afunde de vez.

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