OPINIÃO

A ideia de doutrinamento ideológico no Enem

27/10/2015 12:23 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

O Exame Nacional do Ensino Médio do ano de 2015 será um dos tópicos mais comentados por muito tempo, tendo abordado diversos assuntos de interesse público, assim como priorizando a reflexão sobre a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

O debate alcançou grandes proporções quando determinadas parcelas da sociedade afirmaram a existência de processo de doutrinamento ideológico, sendo usado o exame como método de obrigar os participantes a aceitar as teorias de filósofos e pensadores renomados internacionalmente.

O ponto principal que demonstra nitidamente a parcialidade em tais informações é que de maneira alguma qualquer questão impõe a obrigatoriedade de aceitar a conclusão reflexiva da linha de pensamento do autor citado em cada questão. O que se busca é a interpretação do texto, devendo entender, por exemplo, a marca de determinado movimento social ou o intuito do trecho citado.

Diversos outros pensadores citados de maneira alguma solidarizam com o dito "pensamento de esquerda", como são os casos de Friedrich Nietzsche, Thomas Hobbes, Max Weber, Tomás de Aquino e David Hume.

Ou seja, com uma pluralidade tão grande de autores, não há como se falar em qualquer tipo de doutrinamento. A razão se encontra nas raízes do discurso de ódio perpetuado por certos indivíduos conservadores e fundamentalistas, os mesmos que se recusam a conviver com a pluralidade de pensamentos que existe em nossa sociedade. São aqueles que tentam criar uma sociedade regrada com base em seu entendimento pessoal do que é correto, tentando, inclusive, cercear direitos para quem se encontra fora de sua política ideológica.

O tema da redação abordou a persistência da violência contra a mulher, assunto reflexivo que busca a análise crítica sobre um grande problema social brasileiro. O tema não é novidade, tendo sido presente em diversos concursos públicos, principalmente da carreira jurídica, não podendo se desqualificar o tema pela suposta inexistência de agressões.

Segundo dados da pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com Data Popular, de 2014, é unânime o reconhecimento da existência do machismo, tendo computado 96% dos votos para tanto. A conclusão ainda mais perturbadora é de que 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram algum tipo de violência em relacionamentos, além de 77% relatarem viver em situação de violência com agressões semanais ou diárias, sendo a violência cometida por homens com algum tipo de vínculo afetivo com a vítima em mais de 80% dos casos.

A compressão dessa problemática é vital para a reflexão acerca do problema social que assola a sociedade brasileira, impactando diretamente no processo democrático para a inserção de certas parcelas de maneira efetiva na sociedade, não podendo continuar a ser alvo de discriminação e violência como ocorre hoje, também demonstrando a parcialidade de políticos e formadores de opinião que apenas almejam estimular discursos de ódio para continuarem com seu pensamento pequeno, sendo responsáveis diretos pela permanência da selvageria diária contra a comunidade LGBT, mulheres e diversas outras minorias apartadas socialmente.

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