OPINIÃO

7 filmes LGBT da Berlinale para ficar de olho

Uma seleção com o que de melhor se viu neste 67º Festival do Cinema de Berlim!

16/02/2017 23:11 -02 | Atualizado 17/02/2017 01:20 -02

Um dos prêmios mais populares da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, é o Teddy Awards, que celebra os melhores filmes de temática LGBT do festival. O prêmio debutou no festival em 1987 e teve A Lei do Desejo, de Almodóvar, como o primeiro vencedor. O Brasil também já marcou presença na história do Teddy, vencendo o prêmio em 2014 com Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro.
A escolha do vencedor deste ano promete dar algum trabalho aos jurados, já que existem fortes concorrentes ao prêmio, que será entregue neste sábado (18).

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DREAM BOAT (Dir. Tristan Ferland Milewski, Alemanha)

Uma equipe de filmagens segue um cruzeiro gay durante duas semanas e filma tudo - ou quase tudo - o que aconteceu por lá. O que ao início prometia ser um filme sobre festas gays e hedonismo logo muda de tom e se mostra um extraordinário documentário sobre a busca de identidade num mundo cada vez mais individualista. O filme foi um sucesso no festival, com sessões esgotadas e muitos aplausos no final de cada projeção. É a nossa aposta para o Teddy deste ano.

Dales Productions Limited

GOD'S OWN COUNTRY (Dir. Francis Lee, Reino Unido)

O pequeno e tocante filme de Francis Lee já vem sendo chamado por alguns de o "Brokeback Moutain inglês". O apelido não é necessariamente um exagero, visto que o britânico é mesmo muito semelhante ao filme de Ang Lee. Há até uma cena envolvendo uma camisa que faz lembrar absurdamente o filme americano. De qualquer forma, isso não enfraquece o poder de atracão de God's Own Country, que conta a história de dois rapazes que não se bicam muito um com o outro mas que se veem trabalhando juntos numa mesma fazenda no interior da Inglaterra. Depois de alguns inevitáveis arranca rabos, a atração é inevitável e os dois se entregam aos prazeres da carne. Um filme lindíssimo, com dois jovens atores muito convincentes e que promete desfrutar de algum sucesso perante o público LGBT.

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Michael Stuhlbarg, Timothée Chalamet and Armie Hammer appear in <i>Call Me by Your Name</i> by Luca Guadagnino, an official selection of the Premieres program at the 2017 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute.

CALL ME BY YOUR NAME (Dir. Luca Guadagnino, Itália)

Apontado como o principal favorito ao prêmio deste ano, o filme do italiano Luca Guadagnino fecha uma trilogia iniciada com o maravilhoso Um Sonho de Amor de 2009, e depois com A Bigger Splash (2015), ambos com Tilda Swinton no elenco. Dessa vez, a história é centrada numa improvável relação entre Oliver (Armie Hammer), um homem no inicio dos seus 30, e Elio de 17 anos, interpretado pelo magnífico Timothée Chalamet. É um filme divertido, com uma cinematografia em tons pastéis de encher os olhos e povoada pela mesma elite privilegiada, intelectual e boêmia típica do universo dos filmes de Guadagnino.

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EIN WEG (Dir. Chris Miera, Alemanha)

O filme conta a história de uma longa relação monogâmica entre dois homens que vivem no interior da Alemanha. Depois de 13 anos juntos, um casal avalia a sua relação. E em forma de flashbacks, acompanhamos a evolução do casal do começo, quando tudo eram flores, até o seu inevitável fim. Um retrato íntimo, tocante e por vezes claustrofóbico do que é uma vida a dois, numa relação homosssexual.

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UNA MUJER FANTASTICA (Dir. Sebastián Lelio, Chile)

É o grande favorito ao prêmio principal do festival, o Urso de Ouro, e foi um grande sucesso de público e crítica quando estreou na semana passada. O filme conta a história de uma mulher transgênero (interpretada pela atriz Daniela Vega, ela também trans) que sofre constantes abusos da família do namorado, após a morte dele. O filme é sem dúvida um importante passo nas narrativas trans e cumpre bem a agenda política do festival. Mas, com um assunto tão delicado para tratar como este, Lelio escolheu o caminho da não dogmatização, o que é muito louvável. Só que essa escolha teve um preço alto e o resultado é um filme sem força e apático, no qual nunca nos deixamos envolver com aquela personagem. De qualquer forma, tem cara de que não sairá do festival de mãos abanando.

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DISCREET (Dir. Travis Mathews, EUA)

É o único filme americano na seção Panorama do festival e, usando a definição do próprio diretor, é um "psycosexual thriller" em que um homem, já adulto, descobre que o cara que abusou sexualmente dele durante a infância ainda está vivo. Então ele volta para a sua terra natal para arquitetar uma vingança. Mas ao contrário do que possa parecer, este não é um filme típico de vingança. Travis Mathews (que co-dirigiu com James Franco o curioso Interior.Leather Bar) quer falar é de outra coisa: da América branca, conservadora e homofóbica apoiadora de Trump. E colocar a história para se desenrolar no interior rural do Texas - onde se veem placas com o nome de Trump, pré eleição - não é mera coincidência. DISCREET não chega a ser experimental mas tem uma narrativa quase não-linear, focando-se mais nos fantasmas do protagonista e nas suas motivações. Não é um filme fácil e o título é uma referência aos perfis sem rosto que Matthews encontrou aos montes no aplicativo de relacionamentos gay Grindr.

small talk productions

SMALL TALK (Dir. Hui-chen Huang, Taiwan)

Hui-chen Huang cresceu com uma estranha dentro de casa: a sua própria mãe. Anu, a mãe de poucas palavras e trejeitos masculinos, é um verdadeiro mistério para ela. Será que ela me ama? Será que ela queria ter filhas? Será que minha mãe é lésbica? Essas questões, que elas tentaram ignorar por tanto tempo, são expostas à mesa com Huang confrontando a mãe depois de tantos anos de silêncio. O projeto final, resultado de quase 20 anos de filmagens caseiras, é um documentário extraordinário, cru e poderoso, a que se assiste com o coração nas mãos e muitas lágrimas nos olhos.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte do nosso time de blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com.