OPINIÃO

67ª Berlinale abre com 'Django' e conta com vários filmes brasileiros na programação

Brasil tem 12 representantes no Festival de Berlim.

10/02/2017 12:36 -02 | Atualizado 10/02/2017 18:16 -02
Fabrizio Bensch / Reuters
Paul Verhoeven (centro), aclamado este ano com o filme-provocação 'Elle', preside o júri internacional da Berlinale.

Começou nesta quinta-feira (9) a 67ª edição da Berlinale, o Festival de Berlim, com uma coletiva com o júri internacional, encabeçado pelo holandês pelo Paul Verhoeven.

O diretor que já foi persona non grata nos anos 90 depois do seu polêmico Showgirls virou o jogo e hoje é reconhecido como um dos grandes nomes do cinema europeu, tendo por exemplo a releitura de toda sua obra pela francesa Cahiérs du Cinema.

Outros nomes conhecidos do público também figuram entre os jurados, como a atriz americana Maggie Gyllenhaal, a alemã Julia Jentsch (que fez furor entre a crítica com o filme 24 Semanas em competição na edição de 2016) e o ator e diretor mexicano Diego Luna.

Uma aposta na diversidade do festival que promete algumas surpresas entre os vencedores, especialmente depois das críticas que o júri da edição de 2016 - encabeçado por Meryl Streep - sofreu por ter feito o que se esperava deles: ter entregue o Urso de Ouro ao documentário político Fogo No Mar.

Questionado por uma jornalista sobre o que ele pensava dessa edição "politizada" do festival, o diretor holandês disse que ainda não poderia opinar porque não tinha visto os filmes ainda e que estava ali para julgá-los pela sua qualidade e não pelas suas mensagens políticas.

O festival iniciou com a produção francesa Django, filme de estreia do francês Étienne Comar que conta a história do guitarrista e compositor Django Reinhardt que foi perseguido pela Alemanha nazi no auge da Segunda Guerra Mundial.

O filme não despertou muitas opiniões entusiasmadas entre os jornalistas presentes e só confirmou os rumores de que estreias mornas como a de Django são quase um ritual entre os filmes de abertura da Berlinale. Foi assim também com o Hail Cesar!, dos irmãos Coen, no ano passado. Outras grandes produções, como a sequência de Trainspotting (T2) e a despedida de Hugh Jackman ao personagem Wolverine (Logan) estão na programação, mas é nos filmes menores que a edição deste ano desperta mais interesse.

O primeiro dia do festival começou pela manhã com duas sessões superconcorridas de Django e logo depois, engatamos a comédia de humor negro Occidental, uma produção francesa dirigida por Neïl Beloufa inserido na seção Fórum.

A ação, que faz lembrar o Grande Hotel de 1995, com Tarantino entre os diretores, também se passa toda dentro de um hotel no centro de Paris. Dois hóspedes italianos fazem check-in, flertam com a garota da recepção e despertam algumas suspeitas na gerente que, entre outras coisas, acha estranho o fato de eles beberem coca-cola ("italianos não bebem coca-cola!").

O filme começa muito bem, mesclando gags de humor negro, suspense e comentário político (as únicas cenas exteriores são de manifestações acontecendo nas ruas de Paris) mas se perde em diálogos absurdos e na apresentação dos vários personagens secundários que não acrescentam nada ao filme.

Destaque para Paul Hamy, que ano passado foi protagonista do aclamado O Ornitólogo, do português João Pedro Rodrigues, e que faz um dos hóspedes italianos com comportamento suspeito. Rodrigues disse que o ator "fotografa muito bem" em frente às câmeras, o que é verdade, mas infelizmente isso é insuficiente para manter o interesse no filme francês, que lá pelas tantas nos perde por completo.

A edição deste ano conta com vários filmes brasileiros na sua programação, distribuído entre várias seções, com destaque para a produção luso-brasileira Joaquim dirigida por Marcelo Gomes. Outros filmes de interesse, todos dirigidos por mulheres, completam os 12 filmes vindos do Brasil: Vazante de Daniela Thomas, o drama Pendular da carioca Julia Murat e o muito delicado Como Nossos Pais de Laís Bodanzky.

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