OPINIÃO

Perder peso não é antifeminista

A única pergunta a ser feita é: me sinto bem com meu corpo?

04/12/2017 10:26 -02 | Atualizado 04/12/2017 10:26 -02

Mitchell Hollander

Com a recente expansão do feminismo renovado, tenho notado uma maior preocupação, honesta e aberta, sobre a ideia da positividade corporal. Artigos como "Losing It in the Anti-Dieting Age" (Perdendo Peso na Era Antidieta), publicado pela New York Times Magazine, e "What Should A Feminist Weigh?" (Quanto Uma Feminista Deve Pesar?), do portal Medium, jogam luz sobre o debate interno despertado em tantos corações e mentes sobre o que achamos de nossos corpos como de fato são, e as razões por trás de qualquer esforço para mudá-los.

A maneira de lidar com nossos corpos costumava ser clara — talvez não saudável, mas clara. Para a maioria de nós, isso significava PERDER PESO. Acima de tudo, esse era o objetivo. Perder gordura. Eliminar a celulite. Eu, por exemplo, nunca fui "magra o suficiente". Sempre havia 2 ou 5 quilos ou 15 para perder. Em minha mente, meus relacionamentos e potencial profissional dependiam de ser o mais magra (também sinônimo de atraente) possível. Mas, nos últimos anos, houve uma mudança cultural que ganhou força sob esse desejo de ser supermagra... um movimento desafiador e, às vezes, defensivo indo em direção contrária, dizendo NÃO. Meu corpo é o que é, e eu o amo dessa forma, e, se você não gosta, enfie sua opinião naquele lugar.

Foi realmente um alívio ― um dedo do meio para a inadequação e insegurança que muitas de nós carregávamos. Sendo uma treinadora que já trabalhou com pessoas de cerca de 200 quilos, vi que minhas clientes encontraram consolo. Encontraram uma comunidade e uma nova linguagem para a aceitação que nunca haviam experimentado antes — mas, então, algo começou a acontecer que minou aquela sensação de paz.

As pessoas começaram a perceber que, embora devessem se sentir melhores em relação a seus corpos, muitas não se sentiam. A mensagem de que é melhor ser magra ainda prevalecia, e seus corpos ainda se sentiam fisicamente pesados. Ainda se sentiam oprimidas e, em vez de se sentirem culpadas por serem gordas, se sentiam culpadas por não se sentirem bem sendo gordas. A "positividade corporal" é um objetivo importante e valioso, mas se tornou uma fachada para algumas pessoas: a positividade seguida da depreciação noturna. Claro que isso não era uma verdade para todo mundo, mas ouvi isso de muitas de minhas clientes e, honestamente, também me senti assim. Era confuso e desorientador.

Quando essa confusão aconteceu, as pessoas também não se sentiram à vontade para falar sobre o assunto. Estavam com medo de serem rejeitadas por sua nova e barulhenta comunidade se dissessem: "Não me sinto bem e ainda quero perder um pouco de peso". Novas questões surgiram. Ainda é permitido tentar perder um pouco de peso? Não devemos mais nos importar, certo? Então por que ainda me importo tanto? Se eu de fato perder peso, estarei me traindo e a todas as outras garotas curvilíneas? Não serei uma feminista? Estou cedendo às expectativas da sociedade ou apenas fazendo o que parece ser melhor para mim?

Essas perguntas fazem sentido e são dolorosamente comuns. As respostas são tão variadas quanto nossos corpos primorosamente únicos, mas existe uma única verdade sobre a qual todas nós podemos nos apoiar. Nossos melhores e mais belos corpos são os que enriquecem e revigoram nossas vidas. Nenhum será igual. Serão tão diferentes quanto flores silvestres em uma pradaria de Iowa ou caca em um parque de cães. A natureza requer variedade. Existe um vasto espectro de humanidade, e todos conseguimos representar uma pequena parte dela.

A única pergunta a ser feita é: me sinto bem com meu corpo, ou seria melhor se me movesse mais ou comesse mais comida de verdade? Nossa aparência não tem nada a ver com essa pergunta. Feminismo não tem a ver com nenhum tamanho em particular, grande ou pequeno. Tem a ver com honrar nossos corpos individuais e dar a eles o que precisam para atingirem seu ápice. Se nossa aparência está "certa" ou "errada", é uma questão construída para nós pelo nosso mundo exterior.

O verdadeiro feminismo, a verdadeira liberdade ganham vida quando essa questão já não se aplica.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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