OPINIÃO

Só fale de vinhos depois de bebê-los

As avaliações de vinhos sempre dependem do paladar de quem os prova.

27/07/2017 16:21 -03 | Atualizado 27/07/2017 16:21 -03
Pixabay - CC0 Public Domain
Beba vinhos: franceses, italianos, australianos, alemães, africanos, americanos e brasileiros.

Não foi fácil encontrar um tema para compor o primeiro artigo deste blog. Não é que falte assunto, pelo contrário: falar de vinhos é praticamente uma conversa sem fim para quem gosta de trocar ideias sobre essa bebida apaixonante.

Aliás, é possível ver por aí (e, em breve, também por aqui) os melhores vinhos do ano, os mais vendidos ou vinhos para presentear. Além de serem uma fonte de sugestões, estas seleções proporcionam um espaço para que o próprio leitor discuta os seus gostos.

Porém, inaugurar o blog requer um cuidado especial, já que é preciso mais do que um conteúdo informativo ou sugestivo. Queremos que o tema seja um cartão de visitas, uma amostra do que pensamos e do que queremos apresentar.

E é por isso que decidimos começar com esse título e com esse assunto.

E por que só se deve falar de vinhos depois de bebê-los? Bom, porque faz muito mais sentido do que falar "nunca bebi esse vinho, mas acho que ele é ruim". É difícil de acreditar, mas tem muita gente que ama ou detesta um vinho sem nunca o ter bebido.

Quando nós começamos a beber e a falar sobre vinhos, ouvimos muitas autoridades no assunto que avaliavam uma certa uva ou região e degustavam com os olhos, com a cabeça ou com o preconceito, mas nem sempre com a boca.

São muitos os formadores de opinião que, por conta dos próprios interesses, conceitos e gostos, influenciam o comportamento de vários consumidores de vinhos. Estes passam a desejar ou a torcer o nariz para exemplares antes mesmo de experimentá-los.

Indicar vinhos, então, é ruim? Claro que não! Se você bebe um vinho que adorou, você quer, pode e deve falar sobre isso! Nós mesmos falamos de vinho o tempo inteiro e sugerimos diversos exemplares para os nossos amigos e familiares.

Só que é importante ter cuidado ao dar uma indicação. E ainda mais importante ter cuidado ao ouvir uma indicação, porque quem sugere vinhos, além de suas próprias experiências, vale-se da própria boca, não da sua.

Somos cautelosos com isso por várias razões, e uma delas é o preço. A carga tributária brasileira que incide sobre os vinhos não é amigável definitivamente. Além disso, eles possuem muitas nuances de sabor, de forma que um mesmo exemplar varia do interessante para o simplesmente terrível, a depender dos gostos de quem o bebe.

Ou seja: comprar um vinho sem informação alguma é um grande risco para o bolso e para o paladar. Comprar um exemplar porque alguém o avaliou e o indicou é também um risco, só que um pouco menor. Principalmente quando a indicação saiu da boca de quem o bebeu e o descreveu cuidadosamente.

Mas quando há ignorância ou preconceito, é pior do que comprar às cegas: você passa a ter preconceito ou expectativa por tabela.

Uma pergunta muito recorrente que nos fazem é a seguinte: qual é o melhor vinho? Francês, italiano, argentino ou brasileiro? Você já deve ter ouvido falar dos clássicos italianos e franceses, dos sofisticados vinhos argentinos e dos espumantes nacionais que são reconhecidos e premiadíssimos internacionalmente.

Então qual é o melhor?

Por acaso tem uma resposta certa?

Claro que tem. A resposta é: fale depois de bebê-los! Quantos forem possíveis, quantos você se oportunizar, a quantos você tiver acesso. Franceses, italianos, australianos, alemães, africanos, americanos e brasileiros. E de outros lugares do mundo, além desses. E, de preferência, de várias uvas, cores e sabores. Nas feiras de vinhos, através de enoturismos, na casa dos amigos, e, se for comprar, um olho no desejo e o outro no bolso.

Ouça sugestões, confira indicações, troque ideias sempre que puder. Mas, ao final, torne-se a sua própria autoridade em vinhos.

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*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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