OPINIÃO

Mais de 4 bilhões de pessoas ainda não acessam a internet, lembra Zuckerberg

13/04/2016 15:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Stephen Lam / Reuters
Facebook CEO Mark Zuckerberg speaks on stage during the Facebook F8 conference in San Francisco, California April 12, 2016. REUTERS/Stephen Lam

A conferência de desenvolvedores do Facebook (F8), que ocorre em São Francisco, nos Estados Unidos, tem sido palco para uma triste lembrança: a exclusão digital. A boa notícia são as intenções, ainda futuras, de incluir nesse mercado a parcela alheia à internet -- hoje correspondente à maioria da população do planeta.

"Mais de 4 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à internet", lembrou o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, na manhã desta terça-feira. Ele está certo. Mais precisamente, o número de excluídos era cerca de 4,2 bilhões no ano passado, segundo um relatório da ONU. Esse número corresponde a, aproximadamente, 57% da população mundial. No Brasil, a maioria das pessoas já estão conectadas (57,6%), mas a forma e a frequência de acesso ainda estão bem aquém de países desenvolvidos.

Interesse

Mas a boa notícia é que o cofundador da 10ª empresa mais valiosa do mundo, o Facebook, não está apenas ciente da situação, mas aparentemente interessado em incluir quem está de fora. "Estamos desenvolvendo tecnologia para dar a todos o poder de compartilhar qualquer coisa com qualquer pessoa", assegurou.

Ao mostrar o plano da empresa para os próximos 10 anos, Zuckerberg foi além das novidades no Facebook Messenger, WhatsApp e Instagram, que já estão sendo largamente anunciadas pela mídia americana.

Um dos três pontos-chave dos planos de médio prazo do Facebook é a conectividade. "As pessoas não têm acesso à internet por três razões: disponibilidade de rede, preço e conhecimento", disse o CEO. "Estamos construindo drones e satélites para conectar todos à internet; inteligência artificial para nos ajudar a interagir com serviços mais facilmente; e realidade virtual para nos ajudar a ver o mundo de forma totalmente nova", afirmou, momentos antes de exibir um drone voando no auditório ao público de desenvolvedores presentes.

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Ao falar em Inteligência Artificial, outro ponto-chave para o futuro do Facebook, Zuckerberg mencionou as distintas possibilidades que essa área da tecnologia poderá abrir no contexto da companhia. "É possível ir desde simplesmente identificar amigos em fotos e personalizar conteúdos mostrados em vídeos e imagens, até a ajudar astrônomos a encontrar planetas, construir carros que dirigem sozinhos e, o mais empolgante: ajudar médicos no diagnóstico de doenças", destacou.

Sem entrar em detalhes, o CEO do Facebook vislumbrou a possibilidade de diagnosticar doenças como câncer através de fotografias em aparelhos inteligentes e afirmou que o Facebook estava "treinando engenheiros em aprendizagem automática (machine learning)" para ingressar nesse mercado.

Segundo o ranking da Forbes, o Facebook tinha, no ano passado, o valor de mercado de US$ 238 bilhões. A quantia, quase suficiente para acabar com a fome no mundo (US$ 267 bilhões, segundo a ONU), mostra o potencial que o Facebook tem de modificar parte desse cenário de exclusão digital. Resta saber, no entanto, se o interesse, por enquanto ainda pouco aprofundado, se transformará em ações efetivas num futuro próximo. O otimismo de Mark Zuckerberg mostra que, no mínimo, isso é possível.

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