OPINIÃO

Qual é seu perfil na hora de inovar?

28/09/2014 00:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02
Andrew Rich via Getty Images

Basta olhar em volta para identificar estilos diferentes nas pessoas que nos cercam. Entre seus amigos, clientes ou mesmo observando o comportamento de cada filho é possível perceber que cada um de nós tem maneiras próprias, únicas, de agir e viver. Ninguém é igual a ninguém.

Estilo de escrever, de caminhar, de falar... e por que não estilo na hora de inovar? Realizar inovação é um processo complexo, com várias etapas. É natural que na hora de criar o novo as pessoas comecem de pontos diferentes, andem em velocidades desiguais e privilegiem uma ou outra fase do processo; enfim, que cultivem um estilo específico de inovador.

Outro ponto que ninguém mais discute é o de que a inovação é um processo de trabalho de equipes e não resultado puro de lampejos individuais. A inovação que de fato interessa, aquela que vira realidade e gera faturamento e lucros para as empresas, depende do trabalho, do conhecimento e da interação de diversas pessoas. Está mais do que superada a imagem do inventor solitário. Sabemos que quem muda o mundo para melhor são os líderes integradores, capazes de mobilizar equipes para o novo.

Bem, se há nas pessoas estilos diferentes de inovar, e se a inovação depende do resultado do trabalho de equipes, é claro que a combinação adequada desses estilos pode gerar times com capacidades maiores ou menores. Para que a inovação avance, é importante entender quais são esses estilos e, assim, compor grupos de alto desempenho.

Foi exatamente isso que, em 1987, motivou os estudos conduzidos por W.C. Muller, do então Instituto de Pesquisas de Stanford. Muller identificou quatro estilos diferentes de inovadores. Como se, de forma natural, os inovadores tendessem a trilhar preferencialmente um ou outro caminho na hora de inovar. Juntar estilos numa equipe aumentaria as chances de se alcançar o novo.

Nossa experiência de mais de vinte anos apoiando times inovadores de alto desempenho comprova as pesquisas realizadas décadas atrás. As pessoas inovadoras, sejam elas líderes das companhias mais inovadoras do mundo ou crianças do ensino fundamental, podem ser agrupadas em Experimentadores, Exploradores, Visionários e Modificadores.

O Experimentador procura combinar elementos e fatores distintos para criar algo novo. Gosta de testar, às vezes mais do que de inovar propriamente. Põe suas teorias à prova o tempo todo. Poderíamos considerar experimentadores o cientista Albert Sabin e o chef Alex Atala.

A principal característica do Explorador é o questionamento. Movido pelo impulso de descobrir o que é possível criar, vive em busca do novo, do desconhecido. O físico Albert Einstein e os cientistas Miguel Nicolelis e Louis Pasteur são exemplos típicos.

Ver o que os outros não enxergam, inclusive realidades futuras e melhores que as atuais, é o ponto forte do Visionário. Ele tem uma perspectiva de longo prazo, com ideias criativas e inspiradoras, mesmo que algumas não sejam factíveis. Alguns visionários famosos: o inventor Santos Dumont, o empresário Steve Jobs, o engenheiro Ozires Silva.

O Modificador tende a inovar usando como base algo que já foi realizado. Na maioria das vezes, suas inovações, não menos importantes, ocorrem em campos de conhecimento e risco mais dominados, e o foco é o sucesso rápido. O piloto Ayrton Senna, o empresário Jeff Bezos e Madre Teresa de Calcutá são exemplos de modificadores célebres.

Compor times que tenham inovadores com os quatro perfis produz resultados tremendamente melhores. Vemos muitas vezes, nas empresas, grandes esforços de inovação com quase nada de resultados. Equipes formadas só por Experimentadores "atolam" ainda na fase de experimentação e não levam a cabo os projetos. Exploradores reunidos concentram-se em descobrir fenômenos e causas sem perceber que isso não serve às empresas. Visionários agrupados "viajam" felizes para o futuro, mas não concretizam. E modificadores fixam-se em pequenas mudanças sem entregar a inovação radical que as empresas tanto buscam.

No site americano Innovation Styles (https://innovationstyles.com), é possível, inclusive, aplicar um teste desenvolvido nos Estados Unidos para inventariar os estilos das pessoas com o objetivo de formar equipes de inovação. É importante, no entanto, destacar que não existem perfis bons e ruins. Existem estilos naturais que, reconhecidos e respeitados, ajudam a acelerar nossa trajetória rumo ao Brasil da inovação.

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