OPINIÃO

Em 2016, você deveria ser mais grato e menos rancoroso

20/01/2016 19:20 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
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Man praying

Tristeza não combina com Ano Novo. Mesmo assim, tenho percebido, no meu entorno, um montão de pessoas desanimadas.

Desânimo tem a ver com alma. De fato, a palavra anima (pronuncia-se ânima) é originária do latim e significa alma. Essas pessoas desanimadas deixaram de acordar suas almas para o ano que se inicia. Hoje proponho um bom coquetel energético para despertar almas.

Experimente olhar ao seu redor. Observe atentamente as pessoas que você conhece. Haverá muitas sem energia, como se suas almas permanecessem adormecidas a maior parte do tempo. É como se elas acordassem de manhã e levassem seus corpos até o ambiente de trabalho, meio absortas e desengajadas. À noite, levam o próprio corpo de volta. Elas esperam ansiosamente que chegue a hora de ir para casa. Não porque tenham algo espetacular para fazer, mas simplesmente para dormir. Os sábios do hinduísmo têm uma explicação para isso: quando se adormece, o corpo fica imóvel e em segundo plano, e a alma consegue finalmente se manifestar em sonhos.

Descobri a receita desse energético da alma no verão de 1979. Tinha acabado de me formar engenheiro mecânico e o mundo, para mim, era um grande mecanismo no qual nós, pessoas e organizações, éramos as engrenagens. Meus pais me presentearam com uma viagem para o Havaí, lugar que eu, surfista apaixonado, sonhava conhecer.

Jovem e em busca de descobertas, fui parar no meio de um ritual revelador, cujo impacto tem me acompanhado ao longo de toda a minha trajetória profissional e, claro, inevitavelmente, da minha vida pessoal. Entendi a receita do energético da alma. Lá vai: doses iguais e abundantes de perdão, gratidão e amor. Misture e tome várias vezes ao dia.

O ritual do qual participei era uma cerimônia ancestral de purificação chamada Ho'oponopono. Em havaiano, "Hoo" significa "causa" e "Ponopono" quer dizer "perfeição". Portanto, Ho'oponopono pode ser interpretado como uma oportunidade de corrigir erros e retomar a vida livre deles, por meio - justamente - do perdão, da gratidão e do amor. O ritual incluía meditação, cânticos antigos e a repetição do mantra da "receita": "me perdoe, te amo, sou grato". As expressões fizeram todo o sentido para mim, pois estavam diretamente relacionadas às quatro virtudes de Jesus: compaixão, humildade, amor e gratidão.

No Ho'oponopono, parte-se do princípio de que somos 100% responsáveis por tudo o que nos acontece e por todos que nos circundam. O que ocorre em nossas vidas deriva do que há em nosso coração e em nossa alma, ou seja, vem de dentro para fora.

Lembro-me até hoje de como saí diferente daquela vivência, naquela praia. Foi como se tivesse sentido o despertar de algo interior: o sabor e a força da tolerância, da gratidão às bênçãos que a vida me dá e do amor às pessoas que me cercam (ainda que tudo isso seja work in progress, sempre).

Neste ano duríssimo que se desenha, acredito que cada um de nós deveria se dedicar mais ao exercício do perdão, da gratidão e do amor. Tomar diariamente o energético "me perdoe, te amo, sou grato".

Desculpar-se e expressar gratidão são, diferentemente do que parece, atitudes que realizamos para nós mesmos e não para os outros. São libertadoras e purificadoras para quem as pratica.

No ano passado, um amigo especialista em energia vital reforçou em mim a crença de que a gratidão é sagrada, e de que até mesmo a palavra "obrigado" é mal-empregada em nossa cultura. Ela sinaliza que nos sentimos "obrigados", isto é, devendo obrigações, quando alguém faz algo por nós. Comecei a ver uma interpretação mercantilista nisso. Uma espécie de troca, quando gratidão, na verdade, nada tem a ver com isso. Alguém nos passa energia positiva, fazendo algo de bom por nós, e respondemos com uma palavra tão pesada? Quem é obrigado a fazer algo o faz com energia negativa. As crianças são obrigadas a comer espinafre e a cumprimentar desconhecidos, mesmo quando não querem; elas, sim, poderiam dizer, ao final do ato, 'obrigado'.

Em todos os outros casos, o que poderíamos dizer é: "gratidão". Ou "graças", já que acabamos de receber uma delas. Bem fazem os espanhóis e os italianos, que agradecem com as palavras "Gracias!" e "Grazie!", respectivamente. Hoje em dia, sempre que recebo uma dádiva, procuro mudar minha energia interior e dizer "sou grato", porque é realmente como me sinto.

O Brasil e o mundo de hoje tentam nos empurrar para longe da gratidão, do perdão e do amor. Estamos construindo uma sociedade alimentada pela intolerância, pelo ódio e pela ingratidão. Vemos essa postura todos os dias no ambiente empresarial e social.

Há alguns estudiosos do Ho'oponopono no Brasil. Neste começo de ano, convidamos um deles a conduzir esse ritual com nosso time de consultores. Espero sinceramente que, mais uma vez, o milagre se realize e saiamos todos mais preparados para perdoar, amar e agradecer. Vamos precisar muito disso em 2016, e é meu sincero voto para todos nós e para este ano que entra.

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