OPINIÃO

De volta para o futuro: lições de empreendedores e de startups vencedoras

30/03/2016 12:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Robert Daly via Getty Images
People high fiving in office

Como você imagina que será o mundo dos negócios do futuro?

Ou, quem sabe, já em 2020? Em meio à hiperacelerada revolução que vivemos?

Nos últimos tempos, meu time de consultores e eu vimos cursando um verdadeiro MBA no assunto. Nada de futurologia, não: mundo real. Aprendizado concreto que se dá do convívio direto e intenso com os jovens líderes da transformação que está moldando um novo ambiente de negócios.

Uma de nossas mais recentes "viagens de aprendizado ao futuro" começou quando um grande banco abriu as portas para startups se inscreverem em um Programa de Inovação Aberta e nos contratou para apoiá-lo. Atuamos de ponta a ponta nesse Programa, desde a chamada das empresas até a preparação das vencedoras. Ali, encontramos as mesmas lições que já tinham emergido em diversos outros trabalhos de inovação aberta que estruturamos. Como, por exemplo, o programa da Oi, às vésperas da última Copa do Mundo, do qual nasceram startups que hoje são milionárias.

Mas voltemos ao banco. Das mais de 500 startups que se candidataram, foram selecionadas 45. Esse grupo formou um ecossistema rico em projetos instigantes, criativos, viáveis! O passo seguinte foi reunir as finalistas em um mesmo local - um centro de convenções em São Paulo - para uma imersão, misturando os empreendedores a mentores, especialistas do banco e investidores. Imaginem a cena: um montão de jovens, a maioria vestindo camisetas evocativas de maratonas de inovação que acontecem por todo o Brasil, e das quais participaram; eles circulavam em meio à alta direção do Banco, investidores, professores e outros executivos classicamente vestidos... Uma verdadeira "feijoada tecnológica e de inovação".

As empresas iniciantes escolhidas apresentaram seus projetos pessoalmente e foram novamente avaliadas.

Mergulhado naquele caldeirão, me senti aterrissando em uma ilha isolada onde as práticas são diferentes das convenções do trabalho que 99% dos executivos vivem hoje. Tudo o que vi, ouvi e senti me faz acreditar que o mundo de negócios, muito em breve, será regido por novos padrões de pensamento e comportamento.

1. Trabalho em rede, com forte interação e troca de informações, sem pudor, sobre os segredos dos negócios. Nesse novo mundo predomina a máxima que diz: "Você será copiado". Em vez de proteger suas estratégias com muros e cadeados, os jovens preferem confiar e investir na própria capacidade de re-inovar. Pensam assim: "Ok, quando eu for copiado, acelero e passo para a próxima!" Falam abertamente sobre suas formas de atuação e estratégias, perguntam tudo aos concorrentes e respondem tudo quando são perguntados.

2. Valorização dos cabelos brancos. Chamava atenção a forte concentração de times de idades mistas. Os jovens querem mesmo é criar, e fazem isso muito bem. Porém, na hora de tocar o negócio que inventaram, buscam executivos mais experientes. Garotos cheios de energia criativa e veteranos transbordando vitalidade são uma combinação vitoriosa no novo ambiente de negócios que virá.

3. Ascensão da economia colaborativa. Claro que os jovens estão focados no próprio negócio. No entanto, dedicam um tempo significativo a colaborar gratuitamente com outros empreendedores. É uma atitude consciente e se estende inclusive à concorrência. É natural nessa nova realidade se conectar e compartilhar.

4. Paixão pelo que fazem. Os criadores das startups amam o que fazem e, talvez por isso, trabalham muito. Extraem de seu trabalho uma energia que realimenta sua paixão, produzindo um círculo virtuoso. Cansaço é uma palavra que não existe no vocabulário deles.

5. Capacitação técnica virou commodity. Para se destacar, não basta dominar tecnologias: é preciso ser capaz de inovar com elas. Domínio tecnológico é, simplesmente, um pré-requisito. Todos tinham. Até porque, na esfera das empresas, não existe mais nenhuma que possa abrir mão da tecnologia. Quem não se digitalizar estará rapidamente fora do jogo. As melhores perspectivas de sucesso e riqueza atualmente estão ligadas a tecnologia e digitalização. Trata-se, reconhecidamente, do novo petróleo.

6. Estudo mais eficiente. Os jovens empreendedores haviam mergulhado profundamente nos assuntos de que gostavam e, dessa forma, tinham aprendido com mais eficácia. São insuperáveis nas disciplinas de seu interesse. Mesmo tendo abandonado a escola, vários deles alcançaram grande sucesso - mais até: são reconhecidamente os que mais sabem sobre determinados temas. Fica o recado para a escola tradicional: de que adianta oferecer quase duas dezenas de disciplinas no Ensino Médio quando, comprovadamente, o interesse é o grande motor do aprendizado?

7. Coragem de tentar. E errar, se for o caso. Todos eram empreendedores seriais e a maioria, apesar da pouca idade, já tinha pelo menos um fracasso nas costas. Pensa que desanimaram? De jeito nenhum! O que deu errado também era matéria-prima - e valiosa - nas trocas entre os finalistas. Os próprios avaliadores consideravam os erros do passado tão valiosos quanto os acertos.

Saí daquele encontro contagiado pela força e pela energia daqueles empreendedores. Tivemos uma clara visão do futuro. Futuro, aliás, que pertence a quem aprender rapidamente a fazer negócios como aqueles 45 finalistas.

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