OPINIÃO

Os dois homens mais semelhantes de 2015

30/12/2015 12:41 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/AP/Creative Commons

Este texto não é imparcial. Este texto é sobre política. Se você não gosta de debater sobre o assunto, tudo bem, mas saiba que você é um completo inútil. Sim, você é.

De certa forma e em alguma medida, este artigo pode conter spoilers.

"Ele escolheu dinheiro em vez de poder -- um erro que quase todos desta cidade cometem. Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos. Não respeito quem não sabe distinguir os dois."

Frank Underwood

Dinheiro é poder ou poder é dinheiro?

Eduardo Cunha negou veementemente em 2015 possuir contas bancárias no exterior. Nenhuma novidade. O cara sabe sair de fininho.

Vai ficando cada vez mais nítida a semelhança entre Cunha e o personagem fictícioFrank Underwook, da série House of Cards, agora presidente dos Estados Unidos.

Eduardo Cunha é presidente da Câmara dos Deputados. Sim, uma posição bem mais humilde. Mas, convenhamos, Frank é fictício e suas ações nunca causaram dano algum na vida de ninguém -- salvo na dos fãs, que vez ou outra tiveram orgasmos múltiplos com o suspense da trama.

O que Frank e Cunha compartilham?

1. Sede de poder;

2. Ganância;

3. Habilidade para contornar situações adversas;

4. Influência sobre outras pessoas;

5. Forte rede de contatos (operando nas sombras).

"Nenhum escritor de respeito pode resistir a uma boa história. Assim como nenhum político pode resistir a fazer promessas que não pode cumprir". 

Frank Underwood

Parece familiar? Essa noção de política é senso comum no imaginário brasileiro. Políticos mentem. Políticos roubam. Políticos não prestam.

E, como salto (i)lógico, decidimos não conversar sobre política.

Walter White, Dexter Morgan e Frank Underwood -- nossos amados anti-heróis

Se existe uma questão inusitada --  e que começa a ser debatida  --  é o nosso amor e carisma por personagens fictícios que claramente cruzaram a linha do 'politicamente correto'.

Walter White, após ser diagnosticado com câncer pulmonar, torna-se o maior fabricante de metanfetamina.

Dexter, o sociopata mais querido da atualidade (há controvérsias), é um assassino em série que tem por alvo outros assassinos que de alguma forma escaparam ao Poder Judiciário.

Frank Underwood, político nato, usa de todos os meios para saciar sua sede de poder.

Se você acompanhou ou acompanha alguma dessas séries, provavelmente já passou por algum dilema moral. Isso é certo ou é errado?

Nem certo, nem errado. É complexo.

Algumas pessoas afirmam que essa simpatia para com os anti-heróis da ficção é sintoma de uma

fragilidade moral arraigada nas sociedades modernas.

Eduardo Cunha seria o nosso anti-herói de carne e osso?

Estamos tão acostumados com a corrupção que nem mesmo nos damos conta de que, na verdade, casos de escândalo envolvendo política já não nos causam tanto espanto.

Cunha e Frank são a mesma pessoa.

Tal como na série, a realidade é cruel. Eduardo Cunha não mede esforços para fugir à responsabilidade. Ele não viu, não sabe de nada, não é dono, não tem relação, nunca se beneficiou do dinheiro.

Parece óbvio que existe coelho nesse mato. Mas tudo é uma questão de prova! E, meu caro, assim como Frank Underwood, Cunha é um sujeito esperto.

Seguimos acompanhando e esperando que algo positivo aconteça no meio desse mar de merda. Não é série, mas cada episódio é único. Não é série, mas já sabemos  --  ou temos teorias  --  o que vai acontecer.

Só não posso dizer que amamos o personagem principal. Eu não amo.

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Carros de luxo de Cunha

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