OPINIÃO

No meio do caminho da educação havia uma pedra

29/04/2015 18:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
GIULIANO GOMES/ESTADÃO CONTEÚDO

Tiro, porrada e bomba. Os professores ganham em número, mas perdem em material de combate. Nas escolas públicas aprende-se o básico. Táticas de guerrilha não estão no currículo. Munidos de livros, lápis, borracha e uma grande bagagem teórica, os professores se aglomeram nos grandes centros urbanos.

Mas isso não pode, diz o Estado. Solta os cães raivosos.

A polícia, essa sim, treinada para a guerra. Obedecendo ordens. O professor, fora da sala de aula, enfrenta a selva. Nuvem de fumaça. Eles, que ensinam pelo exemplo, permanecem firmes, mesmo que contra o batalhão de choque. Esse muro que separa o Brasil do progresso. Essa barreira aparentemente intransponível.

Sonhadores, fazem greve. O Estado se enfurece, manda a PM controlar o caos, a turbação da paz. Paz para quem? Uns correm, outros tantos permanecem. E morrem. Sim, morrem lutando, com a cabeça erguida. Morrem um pouco a cada ato violento do Estado. A morte como exemplo.

Os sonhos, esses permanecem. A luta continua.

Originalmente em Puta Letra.

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