OPINIÃO

Sim, traí meu namorado. Não, não me arrependo

13/08/2015 15:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Reprodução

Namorei o mesmo menino durante todo o colegial. Digamos que ele se chama Thomas.

Nosso relacionamento era cheio de ótimos momentos e muitas risadas. Ele fazia tudo parecer um conto de fadas. Era praticamente um sonho que virou realidade, até que os homens pararam de me enxergar como mulher, porque eu não estava disponível. Eu era apenas um rosto qualquer no meio de um mar de pessoas, e, para ser totalmente franca, eu odiava isso.

Comecei a me vestir melhor e cuidar do cabelo e da maquiagem para ir à escola, mas não funcionou - eu ainda era a garota que tinha namorado. Não estou dizendo que eu ficasse irritada por não ganhar atenção, porque eu ganhava sim - ganhava a atenção do homem que realmente tinha importância para mim. Só estou dizendo que eu queria que outras pessoas ainda me enxergassem como mulher.

Foi apenas quando cheguei à faculdade que eu finalmente passei a ser vista como uma pessoa individual e não apenas como a namorada do Thomas. Muitas pessoas sabiam que eu tinha namorado (mesmo porque eu usava um colar com o nome dele e porque o nome dele estava em todos meus sites de mídia social), mas eu nunca chegava e já dizia de cara que tinha namorado. Sei que isso não é certo, mas na época me parecia certo, sim.

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A faculdade não foi fácil para Thomas e para mim - foi uma época cheia de telefonemas perdidos, discussões e desconfianças. Não demorou muito para Thomas responder meus SMSs só uma vez por dia ou nem sequer responder, então eu não sabia em que pé estávamos. Eu não planejei trair meu namorado.

Ainda estava apaixonada por ele - só não estava feliz com ele. Acho que parte da razão por que eu o traí é porque eu só tinha sido solteira durante fases curtíssimas da vida, então nunca tinha chegado a viver uma época "selvagem", sem precisar me preocupar com as consequências dos meus atos. Ao mesmo tempo, eu não podia me soltar, porque a sociedade leva todo mundo a achar que as pessoas que traem são pessoas horríveis, e eu sabia que não sou uma pessoa horrível. Mas, quanto mais eu ouvia falar em loucuras sexuais, mais minha curiosidade se aguçava.

Traí Thomas com uma pessoa que eu encontrava toda hora na frat house que frequentei no primeiro ano da faculdade. Ele era gentil, inteligente e um tesão.

Era difícil não me interessar por ele - todas as meninas eram loucas por ele. Acho que foi isso que fez a aventura ser mais excitante. Ele sabia que eu tinha namorado, mas, depois de algum tempo, a atração que sentíamos um pelo outro parecia ser mútua. Um dia ele me chamou para ajudá-lo com um trabalho para a faculdade. Passamos uma hora estudando e então ele me falou que eu era linda e que era uma pena eu não estar disponível.

Depois de alguns minutos, acabei dizendo que Thomas e eu estávamos mal e que eu não sabia até quando ia suportar aquela situação. Ele respondeu com uma frase perfeita, dizendo que jamais me trataria como Thomas me tratava, e então chegou perto e me beijou. Fiquei excitada, me senti desejada. Uma coisa foi levando a outra, e então tudo aconteceu muito rápido. Depois eu me vesti, terminei de ajudá-lo com o trabalho, como se nada tivesse acontecido, e fui embora.

Não foi uma coisa emotiva ou amorosa, foi apenas casual. Enquanto estávamos transando, senti um turbilhão de emoções: fiquei com nojo de mim mesma, furiosa, excitada, me senti desejada, e então, no final, fiquei contente com o que estava acontecendo. Aquilo me deu a chance de viver uma tonelada de emoções que eu vinha contendo havia muito tempo. Me fez entender, finalmente, que Thomas não era mais a pessoa que eu queria para mim.

Depois que aconteceu comecei a me sentir realmente culpada. Resolvi contar a Thomas, porque eu não podia deixá-lo pensar que estava tudo bem, sendo que eu já sabia que ele não era mais a pessoa certa para mim. Quando lhe contei, fiquei sabendo que ele já estava me traindo havia meses. Foi horrível de ouvir, fiquei com o coração partido, mas de repente deixei de me sentir tão mal comigo mesma. É claro que depois disso, terminamos. Senti raiva dele durante algum tempo, mas então entendi que ele é uma parte importante de minha vida e que não fazia sentido eu odiá-lo.

Quando voltamos para casa de férias, pedi para encontrá-lo para que pudéssemos conversar. Percebi que eu tinha deixado de amá-lo como namorado havia muito tempo, só que ainda queria que ele fizesse parte de minha vida de alguma maneira. Somos ótimos amigos até hoje. Muitos de meus amigos estranham a amizade atual entre Thomas e eu. Mas eles sabiam que gostávamos um do outro como pessoas, então por que não sermos amigos?

Não estou dizendo que minha traição dele se justifica porque ele também me traiu. Só estou dizendo que penso nisso com frequência e questiono o porquê de eu não ter ficado com sentimento de culpa por ter traído Thomas. A resposta é sempre a mesma: foi algo que eu quis fazer por mim mesma. Isso não me torna uma vagabunda, não faz de mim uma pessoa má, sem moral. Eu não fui criada por pais que confundiram minha cabeça. E não sou uma pessoa fria, sem emoções.

Depois de trair, descobri que eu preferia ser casual que ficar presa a um relacionamento infeliz. E descobri também que trair não é meu estilo - isso é algo que eu nunca vou voltar a fazer. Trair Thomas também abriu meus olhos para enxergar que existem pessoas neste mundo que são melhores para mim que Thomas. Estou em paz com a escolha que fiz, e, quando retrocedo um passo e olho para minha vida, vejo que eu não mudaria nadinha.

Publicado originalmente no Unwritten por Jenna Beykirch.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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