OPINIÃO

'Hello Barbie': Uma vantagem para as crianças ou risco à privacidade?

07/01/2016 17:20 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Hello Barbie is displayed at the Mattel showroom at the North American International Toy Fair, Saturday, Feb. 14, 2015 in New York. Mattel, in partnership with San Francisco startup ToyTalk, will release the Internet-connected version of the doll that has real conversations with kids in late 2015. (AP Photo/Mark Lennihan)

A Mattel lançou uma nova Barbie que interage diretamente com a criança por meio de um software que funciona via wifi. Mas o brinquedo parece não ser tão legal quanto parece.

Por meio deste software, falas da criança - e até falas de outras pessoas da casa - serão captadas pela boneca e enviadas a um servidor da empresa Toy Talk via wifi. A partir da análise desse material, novos dados são enviados à boneca que pode responder às perguntas da criança. A boneca também armazena outras informações e incorpora às conversas, tais como gostos, detalhes, lugares e nomes citados pela criança.

Mas, será que essa interação é interessante? Em uma coluna publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, a psicóloga e diretora da Campaign for a Commercial-Free Childhood (Campanha por uma infância livre de comerciais), Susan Linn, revela uma série de preocupações com esse novo brinquedo. Selecionamos, aqui, algumas delas:

1. Nas conversas com seus brinquedos, a criança pode revelar medos...

...Anseios, segredos e até experiências mais perturbadoras, como encenar situações mais violentas. Quem costuma ouvir essas conversas - professores, membros da família, cuidadores ou especialistas, como o terapeuta - conhece a criança, preocupa-se com seu bem-estar e atua de forma a favorecer seu desenvolvimento. E como isso será feito por uma corporação que visa, sobretudo, fins lucrativos?

2. Ainda não se divulgou uma política de privacidade...

...ou seja, as famílias que compram uma boneca "Hello Barbie", como será chamada, estão dando acesso à empresa às atividades íntimas da criança e às conversas privadas entre os diferentes membros e não se sabe o que pode ser feito com esse material. Como esses dados poderão ser interpretados - ou mal interpretados - pela empresa?

3. Em casos em que a criança confia à boneca situações de abuso...

...ou mesmo explicita através de brincadeiras que é maltratada, o que fará a empresa? Professores e cuidadores que testemunham situações dessa ordem são obrigados a levar as suspeitas aos órgãos de proteção à infância. E a Mattel ou a Toy Talk farão o mesmo?

E vale também pensarmos do ponto de vista do brincar.

Será que a interação da criança com os brinquedos requer uma boneca como essa? É tão comum que as próprias crianças construam as conversas com seus brinquedos, fazendo as perguntas e as respondendo também. Não seria essa uma forma muito mais saudável e mais favorável de brincar e de aprender?

Famílias e especialistas nos Estados Unidos já estão se posicionando de forma contrária à boneca. A ideia é solicitar aos órgãos responsáveis que gerem uma política que regule novas tecnologias presentes em brinquedos e que as empresas interrompam suas produções até que essas normas existam.

A "Hello Barbie" chegou ao mercado em novembro passado e custa cerca de U$$ 300 dólares.

E, você, o que pensa sobre brinquedos com esse tipo de tecnologia?

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