OPINIÃO

Por que não pretendo contar a meu filho a história de Papai Noel

09/12/2014 19:21 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
OLIVIER MORIN via Getty Images
Children dressed as Santa Klaus walk around the Europa entertainment park in the southern German village of Rust 01 December 2007. As soon as the Christmas decorations come out of storage, the perennial German debate heats up -- to shop or not to shop on Sundays? While most of western Europe allowed stores to open on Sunday years ago, it remains a highly sensitive issue in Germany. AFP PHOTO / OLIVIER MORIN (Photo credit should read OLIVIER MORIN/AFP/Getty Images)

Quando eu estava na primeira série, a professora me perguntou o que eu queria que Papai Noel me trouxesse no Natal. "Eu não acredito em Papai Noel", respondi com naturalidade. Ainda me lembro do seu olhar - uma mistura de surpresa, preocupação, pena e medo. Hoje eu percebo que posso ter provocado inadvertidamente uma reação em cadeia de perguntas "O Papai Noel existe?" nas casas de meus colegas naquela noite.

O motivo pelo qual meus pais nunca "usaram Papai Noel" foi meio prático, meio filosófico. Além de não quererem contar para seus filhos algo que não existia, no sentido mais estrito, a verdade é que nunca passávamos o Natal em casa. E para não termos de levar todos os presentes de Nova Jersey para Syracuse, onde vivia a maior parte da família, abríamos os presentes em nossa comemoração de Natal alguns dias antes. É claro que meus pais poderiam ter inventado uma história - "Papai Noel sabe que você vai viajar, por isso ele vem mais cedo" -, mas não era o estilo deles. Assim, passei minha infância sem Papai Noel.

Vejo os olhares de simpatia enquanto você lê isto. "Pobre criança", talvez esteja dizendo. "Perdeu a magia do Natal, a magia de acreditar. Teve sua imaginação completamente anulada. Cresceu tão depressa."

Mas eu nunca vi a coisa dessa maneira. Nunca senti que estava perdendo alguma coisa - e não porque eu não soubesse que estava perdendo. Para mim, o Natal não precisava de Papai Noel.

É assim que acontecia: depois de fazer nosso Natal especial em casa, meus pais carregavam a caminhonete com presentes para meus avós, tias, tios e primos. Nos espremíamos e fazíamos a viagem de quatro horas, às vezes no meio da nevasca. Chegávamos à casa de meus avós em Syracuse, cheia de parentes que não tínhamos visto o ano todo. E lembro-me do cheiro de alho e tomate quando abríamos a porta. Os risos de 20 italianos conversando. Minha irmã e eu correndo para ver a árvore na sala familiar. Os montes de neve no chão (eu tinha um Natal Branco todos os anos). O jantar de peixe na véspera de Natal. Ficar acordada e finalmente ir para a cama pensando no Quebra-Nozes, em que uma garota é transportada para uma terra mágica. Pensando na história do presépio, e até em Papai Noel. E depois acordar para ver mais parentes, outro grande almoço, mais um dia de felicidade com pessoas que você ama e finalmente estão próximas.

Agora que sou adulta, ainda amo o Natal, embora não façamos mais a peregrinação para Syracuse.

Sinto saudade da neve. Assisto Um Duende em Nova York ou até Milagre na Rua 34. Decoro a casa realmente bem, embora seja eu quem o diga. Sento-me na sala de estar completamente escura, exceto pelo brilho das luzes na árvore (sempre verdadeira, e não artificial). Tudo parece muito mágico.

Meu filho ainda é muito pequeno para compreender quem é Papai Noel, mas eu realmente não pretendo lhe apresentar o conceito (meu marido, um ex-crente, discute isso comigo). Acho que simplesmente não vejo a vantagem. O encantamento das crianças não depende de pensar que as coisas sejam "verdadeiras" ou não. Existe uma linha fina entre fingir e acreditar, e é aí que vive sua imaginação. Também não acredito em usar Noel (e definitivamente não o assustador Gnomo na Prateleira, com cara de Big Brother) para fazer meus filhos se comportarem. E não imagino olhar meu filho nos olhos e dizer: "É melhor ir para a cama ou o Papai Noel não virá", ou tentar inventar explicações elaboradas para todas as perguntas que serão feitas sobre Papai Noel, inevitavelmente. Não penso que eu conseguiria me manter séria, e quero contar a meu filho as coisas como elas são.

Se Papai Noel é uma preferência da sua família, tudo bem. Simplesmente não é a minha. E acho o Natal muito mágico sem ele.

Tina Donvito tem um blog sobre maternidade depois da infertilidade e da perda em foggymommy.com

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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