OPINIÃO

'Faça o que eu falo, esqueça o que eu escrevo', ensina secretário de Alckmin

13/01/2016 14:10 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook

"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço".

Eu, você, todos nós já ouvidos dos pais, parentes ou amigos essa passagem pelo menos uma vez na vida. Em geral, ela vem acompanhada de uma lição de moral que envolve um comportamento de quem a diz a ser reprovado por quem a ouve.

Para o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, ela também é verdadeira, mas é preciso uma pequena adaptação:

"Faça o que eu falo, esqueça o que eu escrevo".

Ao dizer que a Polícia Militar agora vai determinar o trajeto das manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) na capital paulista, Moraes jura de pé junto que todos os preceitos constitucionais estão garantidos.

Entretanto, é curioso ir buscar - como já fizeram alguns no abrangente mundo da internet - que escreveu o mesmo secretário de Segurança do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no seu Manual de Direito Constitucional, que conta 992 páginas e custa pouco mais de R$ 130 em qualquer livraria (leia o PDF completo aqui).

"Como ensina Manoel Gonçalves Ferreira Filho, se a intenção policial for a de frustrar a reunião, seu comportamento é até criminoso", redigiu Moraes, no tópico 17.1 da publicação, que trata da "desnecessidade de autorização da autoridade pública e interferência da polícia".

Pode ter dado um branco na mente do secretário ao proferir, no calor do momento após a violenta ação da PM desta terça-feira (12), que o caminho é OBRIGAR os manifestantes a combinarem o trajeto com a PM, sob pena de REPRESSÃO antes mesmo do ato começar, tão logo os presentes não aceitem ordens e um caminho prévio que a polícia julgue conveniente - como foi o caso no último episódio lamentável.

"Se a intenção policial for a de frustrar a reunião, seu comportamento é até criminoso".

Melhor repetir, para que o secretário não esqueça quando for falar após o 3º Ato contra o Aumento da Tarifa, marcado para a próxima quinta-feira (14), no Largo da Batata, na zona oeste da capital.

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