OPINIÃO

Crises na educação e o 'jeito PSDB' de negociar: Com a PM

02/12/2015 12:23 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Estadão Conteúdo e Facebook

A Polícia Militar se consolidou como principal negociadora de pelo menos dois governos do PSDB em 2015. Em abril, ela 'desceu a borrachada' em professores e estudantes no Paraná, Estado comandado por Beto Richa. Neste fim de ano, o colega Geraldo Alckmin delibera com estudantes que ocupam escolas paulistas sob o mesmo viés.

A escalada da violência envolvendo alunos da rede estadual e policiais militares, seja dentro das escolas ou em protestos realizados na capital, vem rendendo não só prisões, mas o indicativo de que o Palácio dos Bandeirantes se recusa terminantemente a debater o fechamento de 93 escolas em SP. Pior: a repressão virou regra.

Antes de prosseguir, algumas imagens para dar uma noção do que está acontecendo:

ABSURDO! Policial armado ameaça estudantes. É esse tipo de "diálogo" que o Governador Geraldo Alckmin quer? #naofechemminhaescola

Posted by Não fechem minha escola on Terça, 1 de dezembro de 2015


No fim de semana, um áudio atribuído ao chefe de gabinete da Secretaria da Educação Fernando Padula Novaes, braço direito do secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, falou em uma 'guerra' a ser ganha (ouçam a íntegra, vale a pena). Não é preciso recorrer aos livros de história para entender a mensagem, afinal, guerras costumam demandar braços armados. Sai o diálogo, entra a PM.

"O governo argumenta que visa a melhorar a qualidade, mas a questão não se limita ao Idesp (índice de qualidade da educação paulista). Tem de se levar em consideração a quantidade de alunos em sala, recursos técnicos, laboratório, salário de professor. Qualidade é algo mais complexo", destacou o promotor Luiz Antonio Miguel Ferreira em sua ação civil pública para interromper o projeto de reorganização.

Ao se negar a debater as mudanças no ensino estadual, Alckmin não nega apenas a possibilidade de valoração dos acertos e erros da medida. O governador de SP parece estar a caminho de ressuscitar um mantra endossado por ele em 2012, quando, ao defender uma ação da Rota, a tropa de elite da PM, afirmou: "Quem não reagiu está vivo".

Com base nas recentes imagens da violência difundida pela PM paulista para pôr fim a protestos e retirar estudantes de escolas ocupadas, vão crescendo os riscos da notória alta letalidade policial - aquela que cegou pessoas nas Jornadas de Junho, sem punir ninguém, e que matou quase mil em 2014 - entrar em sala de aula. Creio que os mais responsáveis prefiram ainda o diálogo. Ou bater o pé por ciclos únicos e fechamentos vale mais do que vidas?

Como o ano ainda não acabou, os tucanos ainda têm a chance de não concluir o ano com um 'serviço completo': entra o ano batendo em professor no PR, fecha reprimindo alunos em SP. A bola está no Palácio dos Bandeirantes. E não adianta trocar foto do perfil no Facebook, ok? Os comentários falam por si só.

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Protesto dos estudantes na escola Fernão Dias