OPINIÃO

Sobre o casamento e a maternidade...

05/12/2014 19:00 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:01 -02
divulgação

Inverter a ordem de prioridades e colocar o parceiro no topo da lista, antes dos filhos, é a proposta do terapeuta de casais Andrew G. Marshall. Fugindo do clichê (mote número 1 deste Blog) e falando o que poucos ousam até sussurrar, ele afirma que "quando duas pessoas decidem se casar, em geral desejam que seja para sempre, enquanto os filhos, apesar de extremamente importantes, crescem e vão viver a própria vida. Por isso é fundamental investir na relação", diz.

"O problema é que muitas pessoas, empenhadas em se tornar pais perfeitos, põem o casamento no piloto automático e esquecem de si mesmas." Sabiamente ele ressalta que a sociedade cobre as mães de expectativas de que elas sempre ponham os filhos em primeiro lugar, deixando os pais mais livres para fazerem outras opções.

Já vejo as caras de espanto de algumas e alguns, mas na minha cabecinha isso que o Andrew está colocando faz bastante sentido!!!

Tenho a impressão de que neste assunto maternidade/paternidade muitas vezes colocamos os "rótulos" e as "frases prontas" que a sociedade espera ouvir de nós (especialmente mulheres) e todo o resto é tabu ou considerado falta de amor ou egoísmo puro e simples.

Parece que se você disser que acha normal (como eu já disse) deixar seu filho com a avó para viajar com seu marido você é tipo Satanás na terra... Come on, quem é que não gosta de ir para a casa da vó??!!! (ok, a não ser que seja uma avó disfuncional e com problemas de vício, o que não será o caso do meu...) Se ela criou você porque não vai dar conta do pirralho alguns dias?!! Mas aí sempre vem a fatídica frase: "Ahhhh você vai ver quando forem os seus!!" Me desculpa, não é porque eu vou ter filhos que eu vou me transformar em um outro ser humano, ok?! Pode insistir o quanto quiser eu pretendo continuar sendo euzinha apenas com acessórios acoplados...

Sei que as coisas mudam (até porque já dei provas nessa minha existência de não ser uma completa toupeira humana) mas acho que muito do que muda não é porque é preciso mudar ou porque queremos que mude, mas porque NOS DISSERAM QUE TEM QUE MUDAR!!!

Sim, porque o que você escuta a vida inteira é que quando você "se torna mãe" você é obrigada a se anular para o resto de suas vidas... no more sleep and no more sex for you lady! Let's end it already and no more fun at all besides "the shining smile of your kid"...

É, realmente isso, tem dado bastante certo para a humanidade... pessoas bem equilibradas, independentes e SUUUUPER bem resolvidas estão aí para provar!!!

Entendo que existem fases e questões hormonais. É obvio que não estou aqui defendendo que uma mãe saia da maternidade, largue os filhos com os avós e vá para a balada curtir a vida com maridão, até porque isso não faz parte do pacote do instinto de sobrevivência de nenhuma espécie. Em qualquer espécie animal existe um momento em que a dedicação com a prole é quase que exclusiva pelo bem da perpetuação da mesma já que filhotes (ou babês) tendem a ser indefesos e se deixados ao relento simplesmente morrem. Mas é apenas na espécie humana que essa ordem de prioridades tende a ser praticamente eterna, criando seres dependentes e carentes e casais frustrados.

Acredito também que, para além das fases que cito acima, cada casal e cada família tem que encontrar a fórmula que dá certo ali dentro, mas de verdade não é isso que é dito por aí nas "rodas"... Como mulher e (se Deus quiser!) futura mamãe, sinto sim esse "peso" de ter que dizer a "coisa certa" e uma certa resignação nas pessoas de terem que cumprir "seu papel" mesmo que isso não as esteja fazendo felizes ou esteja nitidamente acabando com seus casamentos. Já conversei com mais de uma mulher que admitiu isso estando no segundo casamento, por exemplo, mas também com muitas que me pareceram "cegas" ao não verem que estavam transportando todas as suas expectativas, sonhos e energias para a criança e deixando o parceiro totalmente de fora disso como diz o Andrew no texto por ser isso que "se espera de uma mãe" e não porque elas estivessem de fato super felizes...

Sou a primeira a não gostar de clichês e manuais mas na função de terapeuta de casais acho interessante a abordagem que ele dá ao tema e acho que ele conseguiu expressar algo que eu sempre de alguma forma senti. Não é uma filosofia ou um manual e sim um ponto de vista que para mim foi reconfortante, pois o outro ponto de vista me incomodava e por muitos anos inclusive me fez pensar que talvez eu não servisse para ser mãe...

Acho que cada um tem que achar o seu modo de dar o seu melhor em cada aspecto, mas sempre atentos ao que está nos fazendo feliz e ao outro também...

As vezes esse modelo "abnegação total" pode até fazer a mãe feliz por exemplo, mas não ao pai e a longo prazo talvez não à criança... Talvez...

Este post foi publicado originalmente aqui.

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