OPINIÃO

Não precisamos do Dia das Mães

Aceito que comemoremos a data se tentarmos ser menos clichê e de fato fizermos algo de bom para elas.

10/05/2017 20:21 -03 | Atualizado 10/05/2017 20:27 -03

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Olá, meu nome é Tatiana e não recebi nem vou receber cartão com rabiscos, lembrancinha desengonçada feita com todo carinho do mundo ou porta-retrato com mãozinhas de tinta. Não neste Dia das Mães, nem nunca durante o jardim de infância dos meus três filhos. E antes que você venha com um "coitada", já vou logo dizendo que tudo bem.

E olha, não sou a única. Várias mães que decidiram colocar seus filhos em escolas alternativas (que por sorte existem por aí neste Brasil todo) não vão passar pelo mesmo. O segundo domingo de maio é uma data comemorativa para muitos, é verdade, mas essencialmente comercial. Então não, não vai ter colar de macarrão.

O objetivo aqui não é julgar se você chora ou não na apresentação da escola, se você realmente curte receber aquela lembrancinha, mesmo que depois ela vá pro fundo da gaveta como bem mais precioso do mundo ou simplesmente pro lixo. Eu nunca passei por isso e confesso que não tenho ideia de qual é a sensação que a gente tem nesses dias. Imagino que seja ótima, já que vejo várias fotos desses eventos no meu Facebook e Instagram.

Mas posso confessar uma coisa, já que estamos falando abertamente de tudo? Não sinto falta alguma. Não ter Dia das Mães na escola dos meus filhos só me faz pensar e questionar essa data. Por que precisamos de tanto quando podemos fazer algo todos os dias e não só um domingo por ano? Para que precisamos de um dia especial para dizer que amamos alguém?

Não ter comemoração do Dia das Mães na escola dos meus filhos me fez pensar um pouco fora da caixinha. Se fosse apenas uma desculpa para ser piegas, tudo bem. Mas não é. Também é uma forma de idealizar uma mulher e isso não é legal.

Pelo lado positivo, é uma boa oportunidade para falarmos sobre maternidade, como as mães são as grandes cuidadoras do mundo e o quanto precisamos olhar para elas. É preciso desmistificar o papel de super-heroína e lembrar que elas estão aí todos os dias tentando se equilibrar entre casa e trabalho, tentando se transformar em muitas para ser uma só.

Mas o que vemos é a propaganda da mãe bela e maravilhosa com cabelos esvoaçantes e os filhos correndo pra aquele abraço, o marido com presente de fita vermelha na mão e todos viveram felizes para sempre.

Aceito que comemoremos o Dia das Mães se tentarmos ser menos clichê e de fato fizermos algo de bom para elas. Pode vir com presente, mas que venha também com boa vontade e coração aberto... Deixe o dia dela mais leve.

Fica a dica: não queremos joias. Tá... Queremos, mas não só isso. Queremos que vocês dividam tarefas, levem todo mundo para um passeio, mas arrumem a bolsa das crianças um dia pra variar, levem todo mundo no banheiro antes de sequer sentar na mesa, nos deixem sonecar ou ficar de pernas pro ar lendo um livro.

Queria eu saber disso tudo para homenagear a minha mãe da forma correta e não com aquela batedeira de última geração. Mas essa é mais uma das coisas que a gente só aprende depois que é mãe. Queria ter passado um dia com o que minha mãe quisesse fazer, queria o que todo filho quer pra sua mãe, e ainda quero que ela seja feliz, que dê gargalhadas e curta a vida. Sem que precisemos de um dia para fazer isso acontecer, sem cartão ou flores, mas abraços, estar junto e viver.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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