OPINIÃO

A maternidade moderna cheia de luz e sombra

5 mulheres compartilham a luz e a sombra do exercício de ser mãe

14/05/2017 08:44 -03 | Atualizado 14/05/2017 08:44 -03

Sim, é Dia das Mães, senhoras e senhores, mas precisamos urgentemente desmitificar essa data bela e comercial que só mostra mães emocionadas, felizes e cheias de presentes. A maternidade é bela, mas também é um processo de transformação enorme dentro da vida de uma mulher, especialmente para aquelas que se jogam fundo na experiência.

Para homenagear de fato tantas mulheres que estão comigo nessa jornada e, em especial, minha mãe, que sempre me mostrou que este é o caminho mais pleno e incondicional da vida, conversei com amigas que eu admiro sobre essa maternidade moderna. Perguntei para estas cinco mulheres, que admiro e me inspiram tanto, onde elas encontram a luz e a sombra como mães, onde nos enxergamos no meio desse processo que é não só gerar um vida, mas mostrar a outro ser o mundo. Aqui estão as respostas:

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"Tenho duas maternidades, uma do meu filho de 17 anos e outra da minha filha de quatro. Cada uma me move de maneiras completamente diferentes ao mesmo tempo, o que por vezes (muitas na verdade) é bastante intenso e desafiador. Ser cuidadora dos dois me faz buscar diariamente ser respeitada, livre e afinada com minha potência. Descobri (muitos anos depois de ser mãe) que não posso garantir a felicidade deles, mas buscando a minha construo pontes para que eles a descubram também. Esse talvez tenha sido o maior presente que eles vieram me trazer: a liberdade. Enquanto isso, embaixo dessa luz, as sombras me trazem o medo e a ansiedade, que já eram meus, mas que a maternidade escancarou. O medo do incontrolável, a ansiedade com o imprevisível, o desejo de antecipar, estar, acertar. Enquanto sigo o movimento contínuo da maternagem, busco o equilíbrio que a liberdade e o medo, numa mistura louca, transformam em coragem."

Janie Paula, mãe da Maia e do Nicholas, doula, ativista e fundadora do Buxixo de Mães, Te Vi Nascer e do @enquantoeuamamento

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"Encontro a luz na gargalhada das crianças, naquele olhar penetrante do bebê enquanto mama, nas primeiras descobertas, primeiros passos, primeiro dente arrancado. Cada conquista ou gesto de amor deles ilumina sempre meu coração.

Encontro sombra toda vez que vejo neles um defeito meu, quando me vejo sem saída, quando as atitudes deles me tiram dos eixos. Encontro sombra quando não consigo ir lá no fundo da alma deles e arrancar com as mãos aquilo que os deixa enfurecidos, entristecidos ou de coração partido."

Luiza Diener, mãe do Benjamim, da Constança e da Guadalupe e dona do blog Potencial Gestante

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"Eu encontrei luz em mim mesma, me percebi mais forte e independente do que eu imaginava. Me percebi mais mulher, mais madura emocionalmente e consegui ver com clareza o que me movia, o que me interessava, o que era fundamental e o que era bobagem. Encontrei sombra na solidão, que foi absurda no puerpério. Sem meias palavras, foi um horror. Me fez repensar relações, amores, perdas, sempre digo que maternidade é o melhor filtro social porque as pessoas vão embora, mesmo. E tudo bem, só fica quem é especial, quem é amor de verdade. E no meio dessa solidão toda, precisei também reviver a perda da minha mãe, que morreu quando eu era adolescente. Tudo-junto-ao-mesmo-tempo. Virar mãe é isso: dor e amor."

Thais Farage, mãe do Miguel, blogueira e consultora de estilo

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"Sempre que falo sobre a minha maternidade, sou levada para um lugar de transformação. Foi através do nascimento dos meus filhos que pude vivenciar profundas mudanças. Me tornei, se não uma pessoa melhor, uma pessoa mais atenta ao outro. Ter filhos me fez querer mais de mim, do mundo ao meu redor. Me fez ver o amor como uma força poderosa, uma arma política, capaz de tocar os corações mais incrédulos. Mas isso, claro, não vem enrolado no cueiro do bebê. Não é entregue de mãos beijada às mães. É preciso mergulhar em questões ancestrais e essa viagem pode ser muito dolorida, penosa. A sombra da maternidade é aquilo que temos de mais escondido, aquilo que está em nós sem que a gente nem perceba. São nossas heranças femininas, familiares. Se propor a vivenciar a maternidade é entrar em contato também com essa camada submersa. É também entender nossos medos e falhas. Porque só assim a superfície faz sentido. Encarei a minha mãe de frente. Acolhi minhas faltas como filha, entendi suas limitações como mãe. E assim, seguimos adiante. Todos os dias".

Lua Fonseca, mãe do João, da Irene, da Teresa e do Joaquim, que escreve no blog No More Drama Mom

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"A luz... acho que sua maior intensidade encontro no abraço; naquele entrelaçar dos corpos enquanto mamam ou descansam seu corpo sobre mim; é um momento calmo, nada eufórico, que de alguma forma me leva aos braços da minha mãe, lá no passado; algo certamente imaginado, mas que me traz uma segurança e paz infinitas; é um momento de sentir que tudo dará certo e, mesmo que não esteja perfeito, um dia fará sentido.

A sombra, por sua vez, a encontro em todas as variações da palavra medo - medo de me perder, de não aprender as lições, de não achar a medida certa: entre acolher demais e acolher de menos; e por fim, de perdê-los. Se um dia conseguir sentir-me longe dele, chegarei à liberdade plena."

Irmina Walzack, mãe da Yasmin e do Kajetan, fotógrafa do Panoptes Fotografia e autora do livro Retratos para Yayá

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