OPINIÃO

Você sabe o que é um Jerez? Vinho espanhol vira moda entre jovens europeus

06/11/2015 20:11 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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Você sabe o que é um Jerez? A maioria dos consumidores brasileiros de vinho fino não sabe. Esse fortificado da região de Jerez de la Frontera, na Andaluzia, Espanha, também conhecido como Sherry ou Xerez, é pouco bebido por aqui. Na Europa, fora da Espanha, até pouco tempo atrás também era assim. Hoje, no entanto, o Jerez é o que há de mais cool entre a moçada que gosta de vinho e tem sede de novos aromas e sabores.

Longe de ser novidade, o gosto pelo Jerez por anos permaneceu restrito a um grupo pequeno de aficionados. Não é um vinho fácil de entender. Na verdade, há vários tipos de Jerez, com estilos muito diferentes. Os Pedro Ximenes, por exemplo, são ultra doces e untuosos. Já os Manzanillas são finos e extremamente secos, até um pouco salgados. Conhecer cada estilo e conseguir apreciar as sutilezas depende de algum estudo e muitas provas. Coisa de profissional. No século 21, no entanto, o que não falta é sommelier e especialista em vinhos. Nos wine bars mundo a fora, esses profissionais foram fazendo um trabalho de formiguinha, apresentando esse vinho, mostrando harmonizações ousadas, educando o nariz e a boca de seus clientes. Até que a moda pegou. Podemos considerar que começou em Londres. Em 2010, quando foi fundado na capital inglesa o Pepito (foto). Mais que um wine bar com uma boa carta de Jerez, era um sherry bar. Ou seja, um bar dedicado ao Jerez. Hoje existem quase duas dezenas de bares do estilo na capital inglesa. E a ideia se espalhou pela Europa, pela Asia e pela América do Norte. No Brasil, no entanto, essa moda ainda está por chegar.

Aposto que não demora.

A International Sherry Week, uma semana de celebração do Jerez que acontece anualmente no mundo todo, começa a chamar atenção por aqui. Até 8 de novembro vão acontecer vários eventos em torno do tema em cidades brasileiras. No site da Sherry Week, você pode ver a programação do Brasil (e a do mundo também). Há degustações, bares com drinques à base de Jerez, restaurantes com promoções, lojas e importadoras com desconto de até 40%. Mesmo que você não dê a mínima para essa baboseira das modas foodies, vale muito a pena desbravar essa nova fronteira.

A seguir, rótulos de Jerez de vários estilos que provei numa degustação para profissionais na terça-feira (3/11) na Associação Brasileira dos Sommeliers de São Paulo. Os preços abaixo são na maioria promocionais, só por esta semana.

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La Guita Manzanilla, Zahil, R$ 74. Seco, meio salgadinho, com aroma de flores e maça verde. Na boca, super elegante

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Tio Pepe Fino, Inovini, R$ 99. O Jerez mais bebido do mundo não decepciona. É rico nos aromas de fruta branca, mineral na boca, muito gostoso

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El Maestro Sierra Fino, Decanter, R$ 111. Seco e elegante, tem complexidade de aromas. Na boca, um pouco mais de corpo do que é comum para os finos

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El Maestro Sierra Oloroso, Decanter, R$ 121. Daqui para frente, todos são oxidados e escuros. Este é castanho profundo, mas ainda translucido, tem cogumelo e avelã no nariz. Na boca é seco, mineral e elegante

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Solera 1847 Cream, Inovini, R$ 99. Um corte de 80% Palomino e 20% Pedro Ximenez, sendo que a primeira é vinificada como um fino (seco) e a segunda como um PX (doce), tem açúcar na medida

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Fernando de Castilla Premium Pedro Ximénez Sherry, Casa Flora, R$ 103. Exuberante, o Pedro Ximenes é em si uma sobremesa. Neste, a acidez notável deixa tudo ainda mais interessante

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El Candado Pedro Ximénez Valdespino, Zahil, R$ 119. Com aromas de uva passa e frutas secas, este PX tem tanto corpo que parece uma calda.

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