OPINIÃO

7 destinos para você participar da colheita ainda nesta temporada

19/02/2014 11:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

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Não tenho filhos, nunca publiquei um livro meu mesmo (só uns que redigi para terceiros) e não sei se a árvore que plantei na terceira série do primário vingou. Mas posso dizer que já fiz um vinho com minhas próprias mãos: as uvas cabernet sauvignon na cestinha da foto acima foram colhidas há 2 anos por mim nos vinhedos da Salton, na Serra Gaúcha, e posteriormente reunidas às uvas colhidas por outros jornalistas que, como eu, participavam da vindima na vinícola. Na sequência, nós separamos os bagos dos galhos, os esmagamos com nossas mãos e assistimos um enólogo adicionar leveduras ao mosto para dar início à fermentação. Deixamos, então, nossa criança aos cuidados dos profissionais da vinícola por cerca de um ano, até que, um dia, uma garrafa de vinho chegou à casa de cada um de nós acompanhada de uma carta dizendo que aquele era o nosso vinho.

Ainda não provei. Não encontrei nenhum amigo com coragem de partilhá-lo comigo. Mas, independente do vinho ser bom ou não, adorei fazer parte de uma vindima. Este ano vou repetir a dose, fazer a vindima não só no Rio Grande do Sul mas também no Uruguai. Pegar a estrada da Serra Gaúcha a Colonia do Sacramento, visitando vinícolas por todo o Uruguai. Não sei como será a conexão de internet em alguns trechos, mas prometo postar notícias sempre que possível. Se quiser acompanhar minha aventura mais de perto, você pode me seguir no instagram. Quem sabe não se anima e vai fazer um vindima também! Neste período do ano, todas as regiões vinícolas do hemisfério sul estão em colheita. No post Manual do turista com mania de boia-fria, você encontra dicas para uma vindima feliz.

E, a seguir, sugestões de destinos para colher uvas ainda nesta estação:

Serra Gaúcha, Brasil

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As vinícolas do Vale dos Vinhedos (foto), em Bento Gonçalves, e de outros municípios da Serra Gaúcha já começaram a colheita de algumas variedades brancas, mas ainda tem muita uva no pé para você colher. Algumas, como a Casa Valduga e a Pizzato, oferecem uma programação que inclui colheita, almoço e degustação. Na Vinho Larentis, a colheita é noturna, seguida de jantar. Não deixe também de fazer uma degustação de espumantes -- o que o Brasil tem de melhor.

Mendoza, Argentina

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Terra dos malbecs, com os Andes (foto) ao fundo dos vinhedos, a famosa região Argentina é um dos cenários vinícolas mais bonitos do mundo. Também é conhecida pela ousadia dos projetos arquitetônicos de suas vinícolas. Por lá, como no mundo todo, há programas que colocam o turista para trabalhar. Além da colheita, na Bodega Ruca Malen, você pode criar um corte de vinho todo seu. Ou seja, faz um blend misturando vinhos de variedades e parcelas diferentes.

Marlborough, Nova Zelândia

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Famosa pela elegância dos seus sauvignon blancs, a Nova Zelândia tem produzido também grandes pinot noirs e grandes rieslings. Na belíssima região de Marlborough (na foto, a vinícola Vavasour), na Ilha Sul, você pode escolher entre 142 vinícolas, algumas delas oferecem programas de colheita turística, outras almoços harmonizados.

Península do Cabo, África do Sul

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A poucos quilômetros da Cidade do Cabo, ficam algumas das melhores regiões vinícolas da África do Sul. Stellenbosch é das mais tradicionais do país. Por lá, além da Pinotage, uva nacional da África do Sul, há uma variedade de cepas e estilos de vinhos. Não deixe de visitar o vizinho Franschhoek Valley, considerado a capital gastronômica do país.

Vale de Colchagua, Chile

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Uma região de tintos dominada pela cabernet sauvignon, o Colchagua produz também ótimos syrahs, merlots e carmenères. Ao sul de Santiago, virou a denominação da moda no Chile. Segundo seus defensores, seu terroir é imbatível. Nela estão instaladas algumas da melhores bodegas do país, como a Casa Lapostolle e a Viña Montes. E, de fato, o cabernet do Colchagua costuma ser mais redondo que o do resto do país.

Barossa Valley, Austrália

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Se você é um louco por Shiraz, o seu destino é o Barossa Valley, na Austrália. A região colonizada por alemães, se especializou na casta tinta, que rende vinhos escuros e encorpados. Muito quente, Barossa produz vinhos com bastante aroma de fruta escura madura, pimenta preta, alcaçuz. Nos anos 90, eles abusaram um pouco no uso de madeira para dar ainda mais corpo ao vinho. Mas essa tendência tem se revertido. Perto de Adelaide, é uma região de fácil acesso.

Canelones, Uruguai

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Canelones é a região mais tradicional do Uruguai. Para visitá-la, você pode se hospedar em Montevidéu mesmo. A Bodega Juanico (foto), que produz o nosso conhecido Don Pascual, vale uma visita pelo prédio de sua sede, que é patrimônio histórico nacional. Foi a primeira adega subterrânea construída no país, em 1830. A vindima no Uruguai vai até abril, mas se você for na semana que vem, é capaz de me encontrar por lá.