OPINIÃO

Crowdfunding se torna a melhor alternativa para financiar projetos culturais

21/08/2015 16:34 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
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Crowdfunding (ou financiamento coletivo) tem se tornado a forma mais rápida de captar recursos para projetos culturais (para arrecadar patrocínio musical, por exemplo). Em tempos de crise e corte de 22,7% da verba do Ministério da Cultura para 2016, muitos cineastas, produtores e músicos estão utilizando esta nova forma de captação de fundos para lançar seus projetos no mercado.

Durante muito tempo, os artistas dependeram de verba federal ou de patrocínio empresarial para viabilizar seus projetos. Mas, com o surgimento do crowdfunding, tudo isso mudou. Hoje em dia, o setor cultural está mais independente e diversas ações culturais estão sendo lançadas no mercado devido ao crowdfunding.

Atualmente, nos EUA, crowdfunding já financia muito mais projetos relacionados a arte do que o National Endowment for the Arts (NEA) - uma agência independente do governo federal dos Estados Unidos que oferece apoio e financiamento para projetos artísticos. Somente o Kickstarter, site americano de crowdfunding, já financiou mais de US $ 600 milhões em projetos de artes. Para se ter uma ideia, em 2012, o NEA tinha uma verba federal num total de 146 milhões dólares, dos quais 80 por cento foram utilizados em subvenções. Enquanto que, no mesmo ano, Kickstarter financiou cerca de 323,6 milhões de dólares em projetos relacionados com a arte. Mais do que o dobro!

Os sites de crowdfunding estão substituindo a necessidade de busca por Leis de Incentivo à Cultura, como a Lei Rouanet, fazendo com que os artistas se tornem mais independentes e possam viabilizar seus projetos com mais rapidez. Outra vantagem do crowdfunding para a cultura é que esta forma de arrecadação é menos burocrática e super democrática, permitindo que qualquer pessoa com um bom projeto, possa viabilizá-lo através da contribuição financeira de milhares de fãs que acreditam na sua ideia. Geralmente, para se captar pela Lei Rouanet ou outras leis estaduais de incentivo fiscal, é preciso haver uma estrutura de captação grande, pois os trâmites são burocráticos. "Estamos falando de uma ruptura de modelo em que poucos decidem o que todos nós consumimos para um modelo muito mais democrático", disse Tahiana D'Egmont, CEO da plataforma de crowdfunding da Kickante, uma das principais plataformas do Brasil.

No ar desde 2013, a Kickante já lançou mais de 9.000 campanhas, captando mais de R$ 14 milhões em colaborações. E o número de campanhas para projetos culturais aumentou 63,5% nos primeiros meses de 2015, se comparado ao mesmo período de 2014. Dentre os projetos culturais da plataforma, aproximadamente 38% são voltadas para o setor musical. Segundo Tahiana, cada vez mais artistas tem recorrido ao crowdfunding para se reinventar. "Notamos que os artistas têm percebido as possibilidades do crowdfunding. Inclusive, artistas de grande sucesso têm utilizado a ferramenta para inovar no lançamento de seus álbuns e para se aproximar dos fãs. Esse movimento nos mostra um novo momento nesse setor, onde nomes consagrados apostam na alternativa para chegar ao seu público que é cada vez mais conectado", comenta.

Campanhas de Crowdfunding para Cultura em destaque

Dentre as campanhas culturais, podemos destacar a campanha da primeira Cia de Dança de Ballet dos Cegos do Brasil. A Instituição não possuia recursos financeiros para arcar com custos básicos como água, luz, telefone e aluguel. E, com apenas 2 meses de campanha de crowdfunding, alcançou 132% de sua meta, arrecadando R$ 6.162,00 para liquidar suas contas.

Outra campanha super legal foi o projeto do DVD Lua Nova do Penar, documentário sobre Hiram de Lima Pereira, que almejava arrecadar R$9.700,00 para realizar processos de finalização do making off, autoração do DVD e duplicação, conforme citado na página da campanha. No total, a campanha arrecadou R$ 124% da meta, ou seja, R$ 12.100,00.

No meio musical, destacamos a campanha do cantor Lobão que visava arrecadar fundos para a gravação de seu novo álbum, "O Rigor e a Misericórdia". O cantor que sempre buscou sua independência musical e é avesso às amarras de gravadoras, contou com o apoio dos fãs para arrecadar R$ 97.693,00, 122% da meta de sua campanha. "Por esse meio, a gente só entra em contrato com pessoas que apoiam nosso produto", comenta Lobão.