Machismo

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É mais fácil o pai aceitar uma filha lésbica do que a mãe?

Pela nossa construção sobre o que é ser uma mulher e sobre o que é ser um homem, entendemos também como são construídas as responsabilidades de um pai e de uma mãe no núcleo familiar. Ao homem, de acordo com o que é exigido a ele, é mesmo fácil assumir o papel de um cara boa pinta, tranquilão, que faz brincadeiras e lida bem com a possibilidade de sua filha ser lésbica. À mulher, no entanto, nunca houve a chance de estar em outro estado senão o de colapso nervoso: ela está sempre por um fio de não estar sendo boa o suficiente, de não ser mulher o suficiente e de não ter ensinado suas filhas a serem suficientemente mulheres. Ela é sempre questionada e empurrada a um estado de ruptura de sua sanidade.
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Por uma universidade livre de machismo

Eram dezenas de meninas, pequenas pelo medo e fortalecidas pelo encontro em bando, se posso assim descrevê-las. Muitas sentadas pelo chão, dezenas lacrimosas pelas lembranças de histórias suas ou das outras. Como são mulheres, a hierarquia e a dominação que rege o ambiente universitário - o professor que sabe e o aluno que aprende - se amplificam pelo patriarcado". Sim, me deixem pronunciar esta palavra: a dominação universitária é patriarcal. Por isso, as histórias que ouvi são de desqualificação no pensamento por serem mulheres; de assédio sexual como moeda de troca para o que seriam conquistas de mérito na carreira acadêmica; de uso da transferência analítica como regime de controle. Nosso saber deve ser objeto de admiração para o aprendizado, jamais prática de controle.
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O que atrapalha o avanço da participação feminina na política brasileira?

Assim, no total, foram eleitas apenas 638 prefeitas, de um total de mais de 5.500 prefeituras em disputa, representando menos que 12% do total. É um número inferior ao de 2012, quando foram eleitas 664 mulheres. A representação feminina nas Câmaras de Vereadores se manteve estável - 13,5% dos vereadores eleitos este ano, contra 13,3%, em 2012. A tendência de estagnação ou, pior, de retração na participação feminina é preocupante.
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Homens, vocês não são donos de mulheres e filhos

É preciso criar meninos que se tornem homens que saibam que esposas e filhos não são seus objetos, que eles não são donos dos seus corpos e de sua vida. É urgente que eles saibam, desde cedo, que podem expressar seus sentimentos de outras formas, que é permitido chorar, que pedir ajuda é essencial e que precisam aprender a lidar com os "nãos" da vida. Precisamos criar meninos que saibam perder e errar sem precisar agir com brutalidade. Precisamos desconstruir essa criação de meninos que se baseia em banalizar o bater, o lutar, as agressões. Brutalidade não é "coisa de menino". É coisa de agressor. Que aprendam os meninos de hoje para que não se tornem os futuros agressores e assassinos.
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A violência que só acontecia na casa dos outros

O machismo existe, a violência de gênero existe, o suicídio existe, o sofrimento psíquico existe. A mulher, bem, a mulher normal também deveria existir, disse o psiquiatra ao me perguntar se eu me considerava normal por tentar me matar. Psiquiatras que nunca leram Foucault na vida, mas sabem o que é ser normal. Psiquiatras que não te deixam sair da sua solitária enquanto o seu namorado, teoricamente dono do seu corpo, não autorizar.