OPINIÃO

Histórias inspiradoras: Danielle, uma jovem brasileira em Londres

A relações-públicas conseguiu uma bolsa de estudos na Universidade de Westminster e um lugar no disputado mercado britânico.

29/09/2017 13:33 -03 | Atualizado 29/09/2017 13:33 -03
xavierarnau via Getty Images
O que mais inspira em Londres é a velocidade da evolução do mercado digital.

Entrevistei a Danielle Macedo e vou contar a história inspiradora de como ela se mudou do Brasil para construir uma carreira de sucesso na Inglaterra.

Atualmente, Danielle é Subject Matter Expert no Digital Marketing Institute, palestrante em universidades britânicas e diretora-associada de Digital Marketing no London Business School. Ela é mestre em Marketing Communications pela Universidade de Westminster, na qual se graduou com distinção em 2012.

Danielle Macedo

Eu conheci a Danielle quando fui estudante do mesmo curso e universidade em 2015. Ela foi palestrante convidada em Digital Marketing no meu segundo semestre de curso. Suas aulas eram sempre interativas e proveitosas, e aprendi bastante sobre vários temas como Analytics, Programática e SEO.

No fim do curso, passei no teste e recebi meu diploma profissional em Marketing Digital graças às aulas dela.

Como temos muita coisa em comum, acabamos virando amigas. Além de carismática, eu a admiro muito por sua experiência, trajetória e, acima de tudo, sua força de vontade e independência.

Ela trabalhou duro para conseguir uma bolsa de estudos pela Universidade de Westminster, batalhou para entrar no competitivo mercado britânico e, atualmente, dedica seus esforços para compartilhar conhecimento e ensinar em Londres.

Apesar de ter voltado ao Brasil, ainda acompanho o que ela tem feito e tentamos conversar sempre que possível. Há umas semanas, tive a ideia de convidá-la para ela contar sua história no meu blog, e ela aceitou!

Aqui vai então a entrevista sobre a sua jornada de São Paulo para Londres, os maiores desafios e conquistas até agora, bem como algumas dicas e conselhos imperdíveis para quem busca estudar ou trabalhar afora.

Leia a entrevista:

Por que você decidiu escolher a Grã-Bretanha para estudar um mestrado?

Danielle Macedo: Eu tenho uma conexão especial com a Grã-Bretanha desde a minha infância. Como professora de inglês e fã da cultura britânica, minha mãe costumava me contar das suas aventuras na terra da rainha quando eu era criança. Eu adorava ouvir suas histórias e imaginava conhecer o país também.

Anos depois, após me formar em Relações Públicas na Cásper Libero, eu coincidentemente fui trabalhar para a Câmara Britânica de Comércio e Indústria (Britcham) em São Paulo. Após três anos, fui convidada por um dos membros a estagiar no escritório deles em Londres. Foi uma experiência incrível! Assim que voltei ao Brasil, fiquei determinada em retornar e continuar minha carreira lá.

Mas vou ser honesta e dizer que a minha jornada para conseguir isso não foi fácil. Foi um "trabalho de formiguinha", em que eu precisei de bastante determinação para não desistir. Tentei bolsas de estudo para estudar lá, mas várias das tentativas não deram certo.

Após passar por frustrações, comecei a participar de alguns eventos do British Council para saber de mais opções. Curiosamente, eu acabei conseguindo um emprego no próprio British Council para trabalhar no Rio nos dois anos seguintes. Lá, como entrava em contato direto com representantes de universidades britânicas, percebi que um mestrado seria uma excelente solução para iniciar minha vivência em Londres.

Eu decidi então traçar esse caminho, por isso apliquei para a bolsa de estudos na Universidade de Westminster e fui aceita para o curso de Marketing Communications em 2011. Tendo passado por tudo isso, recomendo fortemente essa experiência.

O que você mais gostou do curso de Marketing Communications? Como o mestrado impactou na sua carreira?

São tantos fatores: o grupo multicultural, os professores incríveis e inspiradores, os projetos desafiadores que nos preparam para o mercado profissional e, especialmente, as apresentações em público, que ajudaram a aumentar a minha autoconfiança como falante não-nativa.

O curso teve um impacto imediato na minha carreira, já que consegui encontrar um emprego em período integral antes mesmo de me graduar. Trabalhei no departamento digital da própria universidade por três anos.

Por último, mas não menos importante, o mestrado me deu a oportunidade de explorar uma das minhas maiores paixões atualmente: ensinar. A Universidade de Westminster abriu as portas para mim nesse campo. Foi algo que eu não havia considerado antes, mas que fez todo o sentido após aceitar o convite de dar aulas na universidade como palestrante convidada. Desde então, não parei mais.

Após se graduar, como foi sua experiência ao entrar no mercado de trabalho britânico?

Eu tenho que admitir que entrar no mercado britânico não é fácil para muitos. No entanto, eu tive muita sorte de ter encontrado meu primeiro trabalho em uma start-up de tecnologia no momento em que eles estavam se expandindo para o Brasil. Eles precisavam de alguém com habilidades linguísticas específicas e experiência local, o que combinou em cheio com o meu perfil.

Dito isso, eu definitivamente recomendaria procurar por essas oportunidades de nicho a todos que queiram tentar suas chances aqui.

Você poderia contar pra gente um breve relato de como é o seu dia a dia no trabalho?

Alguns dos meus dias tendem a ser um tanto longos, mas são sempre muito empolgantes. Eu geralmente começo às 9h no London Business School (LBS), termino às 17h e corro ou para o BPP Business School ou a Universidade de Westminstar para palestrar até às 21h.

Em paralelo, eu gerencio o time de web e social media no LBS. Lá, me envolvo em vários projetos e atividades, como manter o site e os canais de mídias sociais atualizados, customizar conteúdo para audiências específicas e promover campanhas. Eu também presido alguns grupos com outras universidades, como Harvard, Yale e Stanford, o que acaba gerando discussões mensais bastante interessantes.

Sobre dar aulas, minhas turmas costumam variar de 20 a 80 estudantes. A maioria das minhas palestras segue um estilo de workshop, exatamente para dar aos alunos a oportunidade de pôr os conhecimentos em prática.

O que mais te inspira em trabalhar em Londres?

A velocidade da evolução do mercado digital – tem tanta coisa acontecendo e de forma tão rápida que é quase impossível acompanhar tudo!

Antes de se mudar para a Inglaterra, você acumulou uma boa bagagem profissional no Brasil. A seu ver, quais são as principais semelhanças e diferenças entre o mercado digital brasileiro e britânico?

Essa é uma pergunta difícil de responder já que eu saí do Brasil há quase seis anos. Mas como tenho alunos brasileiros, muito do que eu tenho ouvido me leva a crer que o Brasil está bem alinhado com as tendências digitais daqui.

O uso de mídias sociais e dispositivos móveis realmente se destaca no Brasil – os índices de engajamento no Facebook, Instagram e Whatsapp estão definitivamente bombando.

Quais são as top tendências digitais a que os profissionais de comunicação devem se atentar ainda este ano?

Vídeos continuam a ser uma tendência consistente, bem como os native ads e programática, realidade virtual e vídeos 360. Mídia social está evoluindo de uma abordagem em massa para uma plataforma 1-2-1, ao mesmo tempo em que vemos a ascensão dos apps de mensagens instantâneas (como Facebook Messenger, Snapchat, Whatsapp).

Vemos algumas marcas como Burberry explorando esse mundo, contudo vai ser interessante entender como as marcas irão mensurar engajamento.

É interessante também acompanhar o que está acontecendo na Ásia – plataformas como WeChat (a mídia social chinesa) estão sendo usadas por empresas para pagar seus funcionários, reservar táxis e até mesmo renovar passaportes. Fico imaginando se o Mark Zuckerberg pretende fazer o mesmo para o Facebook.

Por último, mas não menos importante, conteúdo personalizado, distribuído por plataformas de automação de marketing, parece ser a abordagem que grandes marcas estão apostando para alcançar os consumidores por meio de múltiplos touchpoints.

Você recebeu uma bolsa de estudos pela Universidade de Westminster para estudar um mestrado. Que recomendações você daria para alguém que esteja se candidatando para uma bolsa?

Primeiramente, não desista – parece clichê, mas eu estive nesta situação várias vezes. Talvez você não tenha conseguido na primeira tentativa, mas lembre-se, algumas pessoas esperam por três ou até cinco anos para alcançar esse sonho.

Mantenha um leque de opções. Não se candidate apenas a uma universidade e espere conseguir uma bolsa integral já de cara.

Não aplique até que você esteja pronto.Eu fiz esse erro antes. Minha sorte é que, quando eu apliquei, pude me candidatar mais de uma vez. Agora, algumas universidades podem ter restrições contra isso.

Agora, quando você estiver preparando sua candidatura, seja honesto sobre sua situação financeira. Se você puder aplicar para uma bolsa parcial, vá em frente. As chances serão maiores de conseguir uma parcial do que uma integral.

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Pense fora da caixa. Universidades britânicas não estão só interessadas na sua experiência. O que mais você pode oferecer como indivíduo? Você fez algum trabalho voluntário, por exemplo? Senão, faça.

Explique como você pode apoiar a universidade depois de se graduar. Lembre-se, ex-alunos "embaixadores" que se tornam líderes e retornam a seus países de origem são usualmente bons candidatos a bolsas de estudo. Além disso, mostre com detalhes por que você gostaria de estudar naquela instituição. Respostas comuns como "boa posição em rankings" não vão ajudar a te destacar – demonstre que você fez sua pesquisa.

Se você não estudou em uma universidade muito conhecida (pelo menos aos olhos do "mundo") durante a graduação, explique.Talvez tenha sido a melhor universidade para o seu curso naquele momento? Algumas universidades britânicas não têm acesso fácil a essa informação, por isso vale esclarecer.

Por último,peça a alguém – incluindo falantes nativos se você conhecer – para revisar e reler sua aplicação. Teve uma vez que eu finalizei minha aplicação para uma bolsa dizendo "King regards". Oops!

Para concluir, que dicas você daria para leitores que sonham viver e trabalhar em Londres?

Invista no networking – tenha coragem, aumente suas conexões no LinkedIn, use sua dissertação como ponto de partida para uma conversa, ou mesmo o fato de você ter acabado de chegar na Inglaterra.

Seja por qualquer motivo ou pretexto, não perca a chance de se conectar com pessoas que possam te ajudar a alcançar seus objetivos. Boa sorte!

Pixabay

Esse é o fim da entrevista. Obrigada pela conversa incrível, Dani! :)

Para mais informações sobre a Danielle Macedo, confira seu perfil no LinkedIn.

Até breve!

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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