OPINIÃO

Como foi voltar ao Brasil após o mestrado no exterior

Ansiedade e nervosismo sempre aparecem, mas é preciso organização e calma para se lidar com o momento.

12/11/2017 08:16 -02 | Atualizado 12/11/2017 08:17 -02

Uma das perguntas que mais me fazem sobre ter estudado no exterior é como o mestrado impactou a minha carreira.

E essa questão, na verdade, faz todo o sentido. Afinal, um dos principais motivos para se investir em uma pós-graduação é melhorar a qualificação e as perspectivas profissionais. Essa expectativa é ainda maior para um curso no exterior, que envolve extenso planejamento financeiro, pausa na carreira e mudanças pessoais significativas.

Para quem acabou de concluir um curso internacional, é mais do que natural se questionar: e agora? Que caminho seguir? O que fazer com o meu diploma? É uma fase que eu entendo muito bem, pois fiz as mesmas perguntas mais de um ano e meio atrás.

Hoje, vou aproveitar esse tema para retomar meu blog e falar como foi - e como tem sido - a minha carreira após concluir o mestrado na Inglaterra no ano passado.

Um ano antes, em Londres...

Em 12 de março de 2016, recebi oficialmente meu diploma de Masters em Marketing Communications pela Universidade de Westminster. Eu me lembro daquele dia como se fosse ontem: uma tarde ensolarada de céu aberto, bem no centro de Londres, junto com a minha família que presenciou uma das conquistas mais bacanas da minha vida.

Susana Byun
Eu na minha cerimônia de graduação :)

Não só tinha recebido o diploma de formada, mas o título de Distinction e o reconhecimento de melhor estudante da classe. Ouvir meu nome seguido por fortes aplausos foi um momento emocionante, como um sonho que havia se tornado realidade.

Mas a melhor parte, na verdade, foi ver o rosto das minhas sobrinhas enquanto eu recebia as honras... Nenhum aplauso poderia ser mais alto que o da minha família, nem o maior prêmio poderia se comparar ao sorriso delas. Foi naquele exato momento que eu percebi que todo esforço e dedicação valeu a pena! :)

O retorno para o Brasil

Um mês depois, voltei para a minha terra natal com a missão de iniciar um novo capítulo da minha vida. Como era de se imaginar, o começo não foi fácil. Assim que desembarquei em São Paulo, senti um choque profundo que levou um tempo para passar. O clima, o trânsito pesado, as pessoas... Tudo. Afinal, voltava de um país e cultura totalmente diferentes depois de um ano e meio!

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Londres (acima) x São Paulo (abaixo): diferenças grandes apesar de ambas serem metrópoles

Aos poucos, fui me ajustando com o suporte da minha família, amigos e namorado. Em maio, já comecei a procurar por vagas em redes sociais, enviar meu CV e conversar com ex-colegas de trabalho. Apesar de me sentir confiante, houve momentos de apreensão e ansiedade. A crise estava forte e vi muitos amigos desempregados ou estagnados na época.

Mas não desanimei e decidi usar o mestrado como um diferencial no meu currículo. Vejo agora como isso, junto com toda minha experiência fora, me ajudou a conseguir abertura para oportunidades muito boas no mercado. Ter retomado o networking também colaborou bastante e fiquei por dentro de várias vagas dessa forma.

Meu trabalho atual

Curiosamente, a oportunidade que eu aceitei no final chegou para mim de uma maneira completamente inesperada e surpreendente. Isso porque eu a encontrei não por indicação ou referência, mas por meio de um anúncio no LinkedIn!

A vaga em questão era de "Customer Experience Manager" na Cisco, gigante de TI renomada no setor de tecnologia, que já conhecia de experiências anteriores. Ao ler a descrição e as responsabilidades do cargo, me identifiquei de cara e sabia que eu não poderia perder a chance.

Apliquei para a vaga e passei por todo o processo seletivo nas semanas seguintes. No final, recebi a notícia de que fui aceita para a posição (yay!) e comecei na empresa em meados de agosto, e é onde eu trabalho desde então.

Até agora, minha experiência na Cisco tem sido uma das mais incríveis e transformadoras da minha carreira. Trabalho com uma equipe diversa e talentosa, gerencio projetos e campanhas e aprendo algo novo todos os dias.

Com isso, digo sem reserva de palavras: meu diploma de mestrado não serviu apenas como um título no meu currículo, mas a base que eu precisava para me preparar e impulsionar meu nível e competências profissionais. Minha carreira se beneficiou de muitas formas graças à minha vivência na Inglaterra, bem como a de vários colegas meus após o curso.

5 dicas baseadas na minha experiência

Se você estiver prestes a concluir a pós ou retornou ao Brasil recentemente e está procurando por um emprego, tenho algumas dicas para oferecer. Aqui vão:

1. Dê um passo de cada vez: se você for um "millennial" como eu, ir com calma pode ser uma tarefa quase impossível perante um mercado tão dinâmico e competitivo como o de hoje. Mas calma, não entre em pânico se você não encontrar a vaga logo de cara. Isso toma tempo, e é mais do que natural que demore alguns meses para conseguir a oportunidade que você realmente queira. Não vá espalhando seu CV para vagas que não tenham a ver com você só para conseguir um emprego – no médio e longo prazo, isso vai te desmotivar e prejudicar muito. Mantenha o foco e, se for possível financeiramente (claro), decline algumas se sentir que é melhor esperar um pouco mais. Acredite na sua intuição!

2. Aproveite o tempo para refletir: o bacana de voltar do exterior é a sensação de que se está construindo um novo começo para sua vida. Isso abre a mente para abraçar novos desafios e projetos. Aproveite este período para ponderar se vale a pena mudar de carreira, arriscar um cargo mais alto ou uma função diferente da qual você está acostumado. Eu, que tinha um histórico bem construído em consultorias de comunicação antes do curso, almejava muito trabalhar em marketing em uma empresa de tecnologia. Assim, priorizei minha busca para vagas com este perfil e deu certo!

3. Use o networking, mas com bom senso: criar contatos faz parte da carreira de todos nós, mas transformá-los em relacionamentos duradouros é o grande segredo (e desafio) para um networking frutífero. O conselho que eu dou aqui: retome os contatos aos poucos e seja comedido na abordagem ao pedir por referências. O limiar pode ser bem tênue dependendo do nível de intimidade que você possui com seu contato. Em todo caso, vale manter sempre uma postura profissional, mesmo sendo aquele amigo de infância que esteja te indicando.

4. Usufrua do poder das redes sociais: indicações são extremamente importantes para ficar mais perto daquele emprego dos sonhos, mas não deixe de lado as redes sociais para sondar vagas, candidatar-se e contatar recrutadores. Mantenha seu LinkedIn atualizado, use ferramentas de busca e seja pró-ativo. Às vezes, achamos as melhores oportunidades nos lugares onde menos esperamos.

5. Use sua experiência internacional como exemplo: sempre que puder, tome como "case" a sua vivência no exterior durante as entrevistas. Trabalho em equipe, liderança, habilidade de negociação são algumas das competências que você pode conectar com a pós-graduação. Afinal, você acaba lidando com pessoas do mundo inteiro, com formas de pensar e culturas completamente distintas. Essa experiência por si só é muito enriquecedora, sem contar a gestão da pressão dos exames, projetos, o uso diário do inglês, etc. Tudo isso valoriza seu amadurecimento intelectual e profissional.

Um último conselho...

Para concluir, deixo aqui um último conselho para quem esteja pensando em estudar fora, ou quem já esteja cursando atualmente: não foque só na jornada de estudo e na vivência internacional. Trace planos sobre o que fazer após a graduação, pois isso te ajudará a se preparar melhor e alinhar suas expectativas e objetivos de carreira.

O investimento e o esforço valem muito a pena, mas saiba aproveitar bem esta experiência única e outras oportunidades que surgirem ao longo do caminho!

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*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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