OPINIÃO

A transição da Ludmilla e a liberdade de usar perucas

Ela não é menos empoderada se usar os cabelos lisos, trançados ou crespos. O empoderamento significa dar à mulher o poder de tomar suas próprias decisões.

05/05/2017 16:14 -03 | Atualizado 05/05/2017 20:11 -03

A Salon Line anunciou a Ludmilla como sua nova embaixadora. A marca, que recentemente lançou uma linha de cosméticos totalmente voltada para os cabelos cacheados, irá assumir os cuidados dos fios da cantora durante um processo de transição capilar (do qual você pode saber mais aqui). Isto significa que em breve veremos a "danada" arrasando com os cachos naturais!

O anúncio confundiu muitas internautas, que alegaram que a cantora não teria sido a escolha ideal para a campanha,já que ela não representaria as crespas e cacheadas consumidoras do produto. Assim como Rihanna e Beyoncé, Ludmilla é adepta das lace wigs,perucas de tela transparente que imitam o couro cabeludo.

Ela é tão fã da mudança que lançou em dezembro do ano passado o seu próprio salão de beleza junto com uma linha de perucas, o Lud Hair Boutique, que tem como principal cliente a cantora Anitta.

A marca de cosméticos Salon Line rebate comentários que desqualificam Ludmilla como representante das cacheadas.

Um dos problemas das redes sociais é que elas geram um sentimento de ansiedade e correria, fazendo com que as pessoas leiam cada vez menos os textos. A gente costuma focar só na foto e na manchete e muitas vezes até compartilha sem saber o conteúdo da informação. Na própria legenda da foto, a Salon Line explica que a Ludmilla está abandonando as perucas e vai assumir o cabelo crespo natural.

Além disso, ela não se torna menos empoderada se estiver usando os cabelos lisos, trançados ou crespos. O empoderamento significa dar à mulher o poder de tomar suas próprias decisões. Ninguém deve mudar o que gosta em si mesmo por pressões alheias.

Como escreveu Karla Lopes no texto Tudo bem se você não quiser passar pela transição capilar, "uma mana nega que ainda usa progressiva em seus fios não é menor que você que está passando pela transição capilar. Se empoderar é também um processo de respeitar outras mulheres, de não querer que ela faça escolhas pra si mesma baseadas nas que você fez para si própria!". A própria Ka é adepta do mega hair e se sente muito bem com isso. E ai de quem reclamar.

A transição de Ludmilla

Em entrevista à revista Veja, a cantora conta o motivo de ter tomado essa decisão: "Sempre tive o sonho de usar as perucas lace wigs, que é a mesma que a Beyoncé usa. Como sou muito fã dela, na minha primeira viagem a Miami, voltei com a mala carregada de perucas. Ai, eu cortei o meu cabelo natural bem curtinho. A partir daí, passei a usar as perucas e meu cabelo foi crescendo. Percebi que não precisava mais alisar o cabelo, enchê-lo de química para ficar bonita, na moda. Vi um monte de amigas deixando os fios naturais volumosos e resolvi embarcar nessa também. Mas é difícil..."

E ela não está errada! Apesar de ser um processo de reconhecimento das próprias raízes, é uma etapa muito difícil, que pode provocar uma sensação de montanha russa na autoestima. Quando uma pessoa fica muito tempo dependente das químicas, ela se esquece de como é o próprio fio.

Além disso, como o cabelo está em transição, a cada dia ele acorda diferente. Ajeitar a cabeleira volumosa já não é fácil, e fica ainda mais difícil quando se está lidando com duas ou até três texturas diferentes.

Por muito tempo, as pontas ainda ficam lisas por conta dos procedimentos anteriores. Ao mesmo tempo, a raiz vai crescendo de forma natural e o cabelo como um todo fica uma bagunça. Por isso, muitas meninas optam pelo big chop, um corte que retira toda a química do cabelo. Por outro lado, tem outras que não conseguem se acostumar com o cabelo curto e têm de resolver como vão homogeinizar as texturas do cabelo.

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A Ludmilla, por exemplo, optou pela ajuda das tranças para passar por esse processo trabalhoso. Nesse caso, recorrer às tranças é realmente uma salvação para quem não quer perder muito tempo estilizando as partes com textura indefinida. O look é estiloso, está em alta e ainda existe em várias versões coloridas. De trança, peruca, ou natural, a gente tem certeza que tudo na Lud fica bom, bom, bom!

Texto escrito por Carina Caldas e publicado originalmente no Superela.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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