OPINIÃO

Por que o 12 de setembro é importante

Todos os anos algo importante acontece nesse dia, podemos contar com isso. Este ano não é diferente.

12/09/2017 11:14 -03 | Atualizado 12/09/2017 11:36 -03

12 de setembro é um dia muito especial. Todos os anos algo importante acontece nesse dia, podemos contar com isso. Este ano não é diferente. O novo iPhone da Apple será lançado no dia 12 de setembro. O novo livro de Hillary Clinton, What Happened (O que aconteceu), vai chegar às livrarias. A Nasa vai lançar sua Expedição 53 no dia 12 de setembro. E 12 de setembro é o Dia Nacional do Milk-shake.

Por que os publicitários e gerentes de marca abraçam o 12 de setembro? É um dia que assinala o início da estação do outono, cheia de esperança e potencial, quando o tempo começa a mudar e as crianças iniciam o novo ano letivo.

Mas essa não é a razão real. A chegada de 12 de setembro significa que podemos colocar o 11 de setembro no espelho retrovisor por mais um ano.

Todos os anos sinto a necessidade de escrever sobre o 11 de setembro. O 11 de setembro não é mais um "fato atual". Mas tampouco já é história passada; isso vai acontecer com o tempo.

Cada ano, porém, nos dias que antecedem o 11 de setembro, eu me vejo perguntando a amigos e desconhecidos: "Onde você estava no 11 de setembro?" A pergunta parece mais relevante, mais urgente, agora que estamos nos fazendo alguns questionamentos muito dolorosos sobre nossa democracia americana. Pelo quê estamos lutando, e quem é o norte-americano "de verdade"?

The CameraPlanet Archive
Image from lower Manhattan, on September 11th, 2001.

Esta é a minha história.

No dia 11 de setembro eu estava na laje do prédio de minha empresa, olhando para a fumaça e as chamas que vinham do centro da cidade. Bombeiros, policiais e motoristas de ambulâncias, todos agiram com uma coragem altruísta que é impossível explicar. Seus esforços incansáveis para salvar pessoas naquelas torres terminalmente feridas me deram uma lição inesquecível de humildade.

Sou cineasta documental. Percebi imediatamente, sem hesitar um instante, o que eu tinha que fazer. Precisava captar, documentar o que estava acontecendo em minha cidade.

Os historiadores contam com a ajuda do tempo para analisar evidências, compilar fatos e encontrar a verdade nos detalhes. Naquele 11 de setembro não tivemos esse luxo. Tivemos que documentar as imagens, os relatos e os detalhes, ou correr o risco de que se perdessem.

Na semana seguinte aos ataques, as pessoas estavam paralisadas. As imagens das torres sendo atingidas, pegando fogo e desabando estavam gravadas a ferro e fogo em nossas cabeças. Enquanto a cidade chorava os mortos e começava a pensar em recuperação, tentei contribuir com as ferramentas e habilidades que possuía. Eu tinha uma história a contar. Por isso fiz um filme. O título era "7 Days in September" (Sete dias em setembro).

Nas semanas seguintes ao 11 de setembro, Nova York mostrou que é uma comunidade verdadeiramente global. Rostos e vozes se uniram. Os trabalhos de remoção dos escombros começaram. Uma chamada aberta lançada para buscar conceitos para um memorial localizou um jovem arquiteto israelense chamado Michael Arad. Seu projeto belo e meditativo, "Reflecting Absence" (Refletindo a ausência), foi escolhido para o memorial às 2.983 pessoas que morreram nos ataques.

Mas, entre aqueles quase 3.000 nomes, quantos hoje seriam considerados americanos? Quantos hoje teriam seus nomes gravados em bronze em volta das lagoas memoriais de um acre, hoje, neste momento em que fechamos nossas fronteiras e cogitamos em substituir nossa porta dourada por um muro impenetrável? Mais de cem imigrantes não documentados –entregadores, garçons, faxineiros, cozinheiros—mortos pelos terroristas no World Trade Center 16 anos atrás poderiam ter sido condenados ao anonimato eterno, não fosse os esforços de um grupo comunitário imigrante. Dezenas de voluntários atenderam aos telefones e acompanharam familiares em idas tristes a hospitais e necrotérios da cidade, revelou Joel Magallán, ex-monge jesuíta do México e diretor executivo da Asociación Tepeyac. "Foi um trabalho intenso. Não havia tempo nem para chorar", disse Magallán.

Outros 372 cidadãos estrangeiros morreram nos ataques – pouco mais de 12% do número total de mortos.

No momento em que nos aproximamos de outro 11 de setembro, vamos pensar nas torres, nas pessoas que morreram e no orgulho com que nos esforçamos para proteger nossos valores americanos compartilhados e a miscelânea notável de imigrantes de todo o mundo que vieram para cá para construir este país.

No dia 12 de setembro compraremos iPhones e mergulharemos de cabeça na política que submeteu a um referendo diário a própria natureza de nossa democracia e nossa nação. Com certeza você tem sentimentos a esse respeito. No momento em que o dia 11 de setembro se aproxima e depois fica para trás, talvez este ano o 11 de setembro seja um bom dia para refletir sobre a diversidade de nossas cidades – e para fazermos nossa parte para proteger a essência do que fez desta uma grande nação.

A América é uma nação de imigrantes, e o 11 de setembro pode servir para nos lembrar desse fato, ao mesmo tempo em que recordamos e homenageamos aqueles que perdemos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Museu Memorial 11 de Setembro