OPINIÃO

Pinto de fora não pia ...
ou não piava

02/06/2014 09:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02
AFP via Getty Images
FIFA Secretary General Jérôme Valcke (L) listen to Brazil's football legend Pele talks during the ceremony of the unveiling clock designed by the late star architect Oscar Niemeyer to mark the one-year countdown to next year's World Cup in Copacabana Beach, Rio de Janeiro, Brazil on June 12, 2013. AFP PHOTO / ARI VERSIANI (Photo credit should read ARI VERSIANI/AFP/Getty Images)

Pinto de fora não pia, ou sapo de fora não chia. Não importa o bicho. Significa: medir as palavras, as opiniões quando se está em ambiente que não seja o seu. Especialmente fora de seu país. Especialmente em casa de alguém que a ofereceu para a festa.

Faz parte do fair play.

Mas o dito popular perdeu força nesse período todo de preparação para a copa do mundo. O pinto piou, o sapo chiou... e os de fora perderam a paciência, foram grosseiros, fizeram comparações, criaram constrangimentos, criticaram, ameaçaram. Tudo publicamente.

E nós, brasileiros, só ouvindo o pinto piar e engolindo sapo...

E começou cedo. Já em 2012, Jérôme Valcke, secretário geral da Fifa, perdeu a paciência: "Não está funcionando. Acho que a prioridade do Brasil é ganhar o Mundial. Não creio que seja organizar a Copa do Mundo."

Foi uma das coisas mais gentis que JV disse sobre o país desde então.

Já o famoso "o Brasil merece um chute no traseiro" entra na categoria pios grosseiros. Nonsense.

O conselho aos visitantes se encaixa na categoria comparação desnecessária: "Você não pode simplesmente chegar com uma mochila e começar a andar. Não há trens, você não pode dirigir de uma cidade-sede para outra. Não apareça pensando que é a Alemanha, que é fácil se locomover pelo país. Na Alemanha, você pode dormir no seu carro, você não pode fazer isso no Brasil".

Pios ideológicos não faltaram. JV criticou excesso de democracia do Brasil e disse que foi um inferno lidar com três níveis de governo. Pra ele, "será mais fácil organizar a Copa da Rússia, comandada pelo presidente Vladimir Putin". Inocente. Não sabe de nada. Se bobear, o Putin anexa a Fifa.

Que deselegante!

Enfim, e ao fim, temendo um possível caos no evento, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pia/chia com mais vigor ainda: "Estamos no mesmo barco", alerta em tom de ameaça. Pra ele, a presidenta não tem se empenhado muito para fazer as coisas caminharem como deveriam. Já ela, considera os dois (JV e JB) um peso sobre seus ombros.

O fair play foi pro ralo.

Em recente entrevista na Suíça, Blatter revelou ainda que sugeriu entre 8 e 10 estádios para a Copa. Mas o governo brasileiro insistia em 17. Depois de muita conversa, chegaram a um consenso de 12 estádios. E isso confere à nossa Copa o título de a mais cara da história das copas. Essas declarações em alto e bom som demonstram já uma clara intenção de colocar no Brasil a maior parte da culpa por possíveis protestos. Da mesma forma quando ele, JB, diz que os brasileiros estão nas ruas porque muita coisa foi prometida e não foi cumprida.

E assim, entre pios e chiados de pintos e sapos de fora, cá estamos nós. Pintos e sapos de dentro. Sem poder piar ou chiar. Sob pena de sermos execrados por falta de patriotismo e ou por excesso de pessimismo. Ou ainda sermos acusados de estar politizando partidariamente o assunto. Ou de termos culpa no cartório, pois "Para mudar o Brasil, a sociedade terá de ter vontade de trabalhar" , como disse o JB.

Melhor ficarmos bem quietinhos e acreditarmos no pio/chiado do pinto/sapo mor, Blatter: "Estou certo de que, quando o primeiro chute for dado, o Brasil vai viver um ambiente de futebol, samba, música e ritmos". E vai rolar a festa!

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